Que países europeus já abriram fronteiras? E quais não aceitam turistas portugueses?

Na Europa, há países que já abriram as fronteiras a todos os países. Outros fizeram-no a uma lista mais restrita. Portugal ficou de fora de algumas listas, muitas vezes com base em critérios epidemiológicos. Foi o que aconteceu na Grécia e na Áustria, que escolheram não abrir fronteiras aos turistas portugueses.

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Miguel Feraso Cabral

Na Europa, regressa-se à normalidade possível em todas as áreas — e também no turismo, um dos grandes motores económicos do Velho Continente. Nesta segunda-feira, seis países europeus reabrem as fronteiras aos turistas: Alemanha, França, Grécia, Bélgica, Suíça e Holanda. Na Áustria, as fronteiras abrem-se na terça-feira. Mas esta reabertura não se faz por inteiro em todos os países. E há quem deixe os portugueses de fora na hora de escolher que turistas aceitar.

Alguns países estão a pedir aos viajantes que cumpram um período de isolamento obrigatório de 14 dias, outros exigem que os turistas tenham alojamento marcado antes de entrar nos países. Há ainda quem imponha regras específicas relacionadas com a situação epidemiológica do país de partida — e alguns excluem Portugal com base nesse critério. É o caso da Áustria, Chipre e Lituânia.

Alemanha

As fronteiras alemãs já estavam abertas às vizinhas Áustria, Suíça e França desde 16 de Maio, mas nesta segunda-feira todas as restrições fronteiriças aplicadas a 31 países europeus foram levantadas e substituídas por recomendações aos viajantes. É uma reabertura feita a medo: Helge Braun, chefe de gabinete de Angela Merkel, admite que as férias de Verão podem aumentar o risco de um novo surto de covid-19 no país.

“Se os turistas voltarem de um local com muitos casos para as suas casas na Alemanha, não seremos capazes de identificar as cadeias de transmissão, e iremos rapidamente acabar numa situação em que teremos de implementar medidas nacionais”, disse Braun ao jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagzeitung. É “prioridade máxima” do Governo garantir que isso não acontece.

França

Os cafés e restaurantes da região da capital francesa voltaram, nesta segunda-feira, a instalar as suas esplanadas. As lojas reabriram e encheram-se, assim como as principais artérias de Paris. Os locais que concentram mais turistas — como a Torre Eiffel ou o Museu do Louvre — já têm datas no horizonte para a reabertura, mas o primeiro a abrir portas vai ser o Palácio de Versalhes, já nesta segunda-feira. O regresso do turismo a França faz-se a passos curtos, uma vez que “a epidemia ainda não acabou”, avisou Emmanuel Macron no domingo. 

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O país, que recebe cerca de 89 milhões de visitantes por ano, poderá não recuperar na totalidade ainda este ano, mas nesta segunda-feira dá um passo importante nesse sentido: as fronteiras voltam a estar abertas aos turistas europeus.

Regra geral, não há isolamento obrigatório para os visitantes vindos da União Europeia, espaço Schengen ou Reino Unido, mas aplica-se o princípio da reciprocidade. Isto quer dizer que se um destes países pedir aos turistas franceses que cumpram um período de isolamento, França impõe a mesma condição aos nacionais. Além disso, os turistas espanhóis e britânicos que cheguem ao país são aconselhados a cumprir um período de isolamento voluntário.

Grécia

Destino turístico por excelência, a Grécia voltou a abrir as suas fronteiras a uma lista de países “não afectados por um alto risco de transmissão”, como descreve o site Re-Open, da Comissão Europeia. Entre eles contam-se a Alemanha, República Checa, Áustria e Coreia do Sul, mas deixa de parte vários países, incluindo Portugal. Esta lista está em vigor a partir desta segunda-feira e até ao final do mês de Junho.

Todos os passageiros vindos de aeroportos considerados de alto risco pela Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação terão de ser testados. No caso de Portugal, os turistas que viajem a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro (no Porto) e da Portela (Lisboa) terão de fazer um teste de despiste obrigatório. Se o resultado for negativo, os turistas terão de passar uma semana em isolamento. Serão duas semanas se o resultado for positivo.

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O país, que todos os anos recebe mais de 33 milhões de visitantes, de acordo com a BBC, está deserto. O turismo é o grande motor que o faz andar e a calma sentida nos principais destinos turísticos está a provocar estranheza nos residentes. “Parece que me deram as chaves para a Disneylândia. Mas ao mesmo tempo, sei que isto não aconteceu para o meu benefício. É um desastre global a grande escala”, disse Michael Ermogenis, residente em Santorini, à BBC.

Bélgica

A partir desta segunda-feira, as fronteiras da Bélgica estão novamente abertas para os turistas da União Europeia, incluindo o Reino Unido, e os quatro países do espaço Schengen. Locais como cafés e restaurantes já abriram no início de Junho, com alguns cuidados, como a distância entre as mesas. No entanto (e ao contrário do que acontece em Portugal), o horário é alargado e vai até à 1h.

A verdadeira aposta, no entanto, vai para o turismo interno: no país está a ser discutida a ideia de dar a cada residente na Bélgica dez bilhetes de comboio grátis para incentivar as férias dentro do país.

Suíça

Nesta segunda-feira, as autoridades suíças levantaram as restrições de circulação com os países vizinhos e outros países do espaço Schengen. As autoridades alertam para a necessidade de não baixar a guarda. E os operadores turísticos respiram de alívio, mas sabem que vai ser difícil ultrapassar esta crise. 

“Os efeitos a curto prazo já são terríveis”, disse Véronique Kanel, porta-voz do Turismo da Suíça, à Swissinfo. “E as previsões para o Verão ainda são muito cautelosas, com uma taxa de ocupação de 24% para o sector hoteleiro e 42% para o alojamento temporário”, ilustra.

Países Baixos

Todos os turistas vindos da União Europeia e dos países do espaço Schengen podem entrar nos Países Baixos sem cumprir um período de isolamento obrigatório, com duas excepções: os viajantes vindos da Suécia e do Reino Unido devem ficar isolados durante 14 dias.

Há pouco espaço para o improviso: a partir do momento em que entram no país, os viajantes têm de fazer prova de que têm alojamento, e podem ser “parados à entrada se não tiverem uma reserva válida”, alerta o site Re-Open EU.

Os viajantes portugueses que queiram entrar no país não enfrentam, por isso, obrigações especiais, e o Governo holandês colocou Portugal na lista de “países para ir de férias”. Fora dessa selecção ficaram o Reino Unido e a Suécia (pelo elevado número de casos), mas também a Dinamarca, Grécia, Malta e Noruega, que fecharam as fronteiras aos holandeses.

Dinamarca

A Dinamarca acrescentou Portugal à lista de países para os quais as suas fronteiras estão abertas na actualização de 30 de Julho. Na lista original, publicada a 27 de Junho, o país nórdico anunciou a abertura das fronteiras a todos os cidadãos de países da União Europeia, espaço Schengen e Reino Unido, tendo nessa altura excluído Portugal com base em critérios epidemiológicos (infecções por 100 mil habitantes). A Suécia também estava excluída e foi adicionada com Portugal.

Chipre

O Chipre divide os países consoante o nível de segurança consoante a situação epidemiológica: a categoria A é a que tem “o estado epidemiológico mais favorável”, seguida da B e da C, a menos segura. A última actualização, a 11 de Agosto, viu Portugal ser colocado na categoria B, os países “com risco possivelmente baixo mas maior incerteza em comparação com a categoria A”, tendo estado até então na categoria C, de países “com risco acrescido comparados com a categoria A e B”. Isto significa que quem quer viajar de Portugal para o Chipre tem de ter um teste com resultado negativo feito 72 horas antes de entrar no país.

Polónia

Na actualização mais recente, anunciada a 12 de Agosto pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros Português, a Polónia retirou Portugal da lista de países com restrições para viajantes à chegada. Neste caso não existe obrigatoriedade de confinamento no regresso, mas todos os voos internacionais de aeroportos da União Europeia podem entrar na Polónia, com excepção dos voos directos vindos de Portugal (até 12 de Agosto),  Suécia, o Luxemburgo. Pode-se entrar no país vindo de qualquer outro destino no espaço Schengen — incluindo de Portugal, por terra e mar. Há excepções, caso a pessoa viva na Polónia ou tenha lá família mesmo que chegue de países fora da União Europeia.

Os países que mantêm as fronteiras fechadas a Portugal

Para além da Grécia, há outros países que, a seu ritmo, foram reabrindo as fronteiras a alguns turistas mas deixaram os portugueses de fora. Nesta segunda-feira, eram pelo menos três: Bulgária, Áustria e Lituânia. E há ainda outros, como a Hungria ou a Eslováquia, cujas restrições são gerais, mas também incluem Portugal.

No caso da Bulgária, os turistas portugueses (assim como os suecos, belgas e britânicos) têm de cumprir um período de isolamento de 14 dias. Os restantes países (incluindo Espanha, Itália e França) têm permissão para entrar sem limitações.

Também na Áustria está proibida a entrada de turistas portugueses. As fronteiras austríacas estarão abertas a partir de terça-feira para todos os Estados-membros da União Europeia, Associação Europeia de Comércio Livre e Espaço Económico Europeu, com “excepção da Suécia, Reino Unido, Espanha e Portugal”. Os critérios, refere-se, são epidemiológicos.

No caso da Lituânia, também se invocam os critérios epidemiológicos — na quantidade de casos positivos observados por cada cem mil habitantes. E isso exclui três países da lista de viajantes que podem entrar: Suécia, Reino Unido e Portugal. Os lituanos que regressem ao país vindos desses países devem cumprir um período de isolamento de 14 dias.

Há ainda outros países cuja estratégia é fechar as fronteiras a todos — incluindo Portugal. É o caso da Hungria, que, por definição, não aceita viajantes excepto os que vierem da República Checa, Áustria, Alemanha, Eslováquia, Sérvia, Eslovénia e Croácia. No caso da Eslováquia, o país prepara-se para receber visitantes de 17 países, uma lista que exclui Portugal. 

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