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Está aí a PlayStation 5, com duas versões e de olhos postos no futuro

O design da consola da nova geração da Sony foi apresentado esta quinta-feira, 11 de Junho, por Jim Ryan, que também divulgou títulos que integrarão a lista de videojogos disponíveis nos primeiros estágios da consola. Ainda não se conhece o preço nem a data precisa do lançamento da PS5.

Representa “a maior transição geracional” que a indústria dos videojogos alguma vez viu e “inspirou desenvolvedores a criar novas experiências” a nível visual, sonoro e sensorial. As palavras são de Jim Ryan, director executivo da Sony Interactive Entertainment (SIE), que apresentou o design da consola da nova geração via streaming. Mais de sete milhões de pessoas assistiram, em directo, à revelação desta e de outras novidades relativas à PlayStation 5 (PS5).

Pela primeira vez, a consola japonesa terá três cores: uma espécie de capa branca (com extremidades que fazem lembrar golas apontadas para o céu) envolve um interior preto de linhas curvadas, onde se encontram as portas USB. O LED azul, marca distintiva da gama de consolas da Sony, mantém-se. Segundo a IGN, esta foi a primeira vez que a marca apresentou uma consola “com a posição vertical como a principal” e não a horizontal. “Aparentemente, o design vertical auxilia na refrigeração do sistema”, lê-se.

E, agora, há duas versões para a mesma consola — para além do modelo com a habitual drive para os discos dos videojogos, existe um outro em que esse “bolso” desaparece: é a PS5 Digital Edition, que permitirá aos jogadores uma escolha (quase) sem limites através das prateleiras online.

À BBC, Jim Ryan explicou que a ideia por detrás do design da PS5 passou por fazer da consola “um elemento decorativo da sala de estar”. Ainda no que diz respeito ao aspecto da consola, e de acordo com a IGN, o director executivo da SIE deu a entender “que não existirá outra cor da consola no lançamento” e que a única diferença entre os dois modelos apresentados reside “no leitor de discos”.

O design “arrojado” da consola surge da vontade da SIE em olhar “para o futuro” e em desenvolver “algo para os anos 2020”, como referiu Jim Ryan. Ainda assim, houve quem encontrasse semelhanças com routers, edifícios e até mesmo a torre do Sauron. E uma vaga de memes surgiu.

Brincadeiras à parte, os fãs da PlayStation também puderam conhecer novos títulos de videojogos que acompanharão a nova geração da consola. Entre os jogos desenvolvidos pela SIE Worldwide Studios e de outros parceiros, destaque para o Gran Turismo 7, Astro’s Playroom ou o capítulo Rift Apart da série Ractchet & Clark. Da parte de outros estúdios e criadores, foi divulgado que a Rockstar Games continuará ao lado da PlayStation com Grand Theft Auto V e Grand Theft Auto Online, cujas novas versões serão lançadas no segundo semestre do próximo ano. Do mesmo role fazem parte videojogos como HITMAN 3, NBA 2K21 ou Resident Evil Village, o oitavo da série da Capcom.

Foram ainda anunciados novos acessórios para a nova consola da Sony, como uns auscultadores sem fios com áudio 3D e dois microfones que cancelarão o ruído. Há ainda uma câmara HD com duas lentes para aqueles que filmam e transmitem as suas aventuras digitais, um comando de controlo remoto para navegar pela plataforma e um carregador sem fios para o comando. O DualSense (comando oficial da PS5) já tinha sido apresentado em Abril de 2019. Na altura, destacou-se a cor: ao contrário do que a Sony tinha habituado, o tom do comando não é totalmente preto, mas sim predominantemente branco.

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Depois do lançamento da PS4 em Novembro de 2013, a Sony começará a produzir a nova geração de consolas ao longo deste mês de Junho. Não se conhece ainda o preço da PS5, mas sabe-se que poderá chegar aos mercados a tempo da época natalícia. Contudo, um pequeno “deslize” na Amazon poderá ter indicado uma estimativa do valor de venda da PS5: de acordo com capturas de ecrã divulgadas — mas não confirmadas —, a consola poderá custar cerca de 667 euros. Inicialmente, a data prevista para a apresentação da PS5 era 4 de Junho, mas a Sony decidiu cancelar o evento devido à onda de manifestações anti-racistas nos Estados Unidos após a morte de George Floyd, referindo que aquele não era “um momento de celebração”.

A PS5 traça um novo caminho

Num espaço de meses, a PlayStation entrará, efectivamente, numa nova geração. Mas isso não quer dizer que a PS4 será esquecida. “Tipicamente, uma consola de última geração ainda terá um ciclo de dois anos. E ainda há títulos a sair e outros pensados para essa consola”, explica Ivan Barroso ao P3. A retrocompatibilidade da consola, numa fase de adaptação entre gerações, ganha pertinência: permite que, num novo modelo, se joguem títulos criados para a consola anterior.

Ainda que essa funcionalidade esteja confirmada nos detalhes técnicos da PS5, desconhece-se o método. Assim, não se sabe ainda se os discos dos jogos da PS4 poderão “correr” na nova consola e se os jogos digitais poderão ser descarregados na PS5, como questiona a Eurogamer. “A partir do momento em que há uma nova consola, quer-se novos títulos. A retrocompatibilidade é um plus e foi uma novidade com a PS2”, diz o historiador de videojogos, que acompanhou a transmissão da última quinta-feira.

Para além do design “tão arrojado quanto pode ser”, destaca o comando oficial da PS5: “É mais elegante e representa um salto. Já o DualShock 4 [da PS4] foi, porque praticamente tivemos três gerações com o mesmo comando. É um salto noutra direcção”, aponta. O também professor na Universidade Lusófona de Lisboa, ETIC (Escola de Tecnologias Inovação e Criação) e Instituto Politécnico de Leiria refere ainda que eventuais erros na performance da nova consola são expectáveis nos primeiros tempos: “Historicamente, sempre aconteceu, mas a Sony conseguirá resolver rapidamente. É um pouco cedo para dizer isso. Só ao fim de algum tempo é que saberemos.”

Certo é que a edição digital da PS5 “traça o caminho para mais lançamentos digitais” — algo cada vez mais presente “nos estúdios indie”, que vão ganhando margem nas bibliotecas de videojogos. Poderão ser más notícias para coleccionadores, mas esta transição será ainda mais vincada nos anos que estão por vir. “Até porque, aos poucos, as coisas foram-se acertando”, refere Ivan Barroso.

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