Os desabafos online de André Murraças

Há uma nova websérie em que pessoas refilam em frente a uma câmara. O primeiro episódio estreia-se esta sexta-feira.

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Cláudia Jardim em Desabafos, a nova websérie de André Murraças DR

Há vários anos que André Murraças anda a coleccionar desabafos. “Queria fazer uma websérie sobre essa coisa muito portuguesa que é refilar, as pessoas refilam sobre tudo”, explica o autor, que escreve para teatro e televisão, ao telefone com o PÚBLICO. Foi mesmo isso que aconteceu: esta sexta-feira estreia-se Desabafos, uma websérie por ele escrita e realizada que é justamente sobre gente que desabafa, centrada num “grupo de pessoas que está sempre a refilar com qualquer coisa, que tem sempre um problema que para nós não é problema nenhum”, mas que aos seus olhos é gigante.

Com o confinamento como desculpa, André Murraças, que já tinha sido responsável, no início da década passada, pela websérie sobre bears Barba Rija, repescou a ideia, que andava a marinar há algum tempo. Aproveitou o facto de “as pessoas estarem um pouco mais irritadas ou irritáveis”, concorreu ao Fundo de Emergência Social da Câmara Municipal de Lisboa para a área da Cultura, conseguiu apoio e avançou. A série tem música original do duo Fado Bicha e está disponível no YouTube e facilmente acessível através do seu site oficial

O criador foi buscar, para as cinco personagens que criou, e que falam para a câmara como numa chamada do programa de videoconferência Zoom, os actores Anabela Brígida, João Villas-Boas, Cláudia Jardim, Manuel Moreira e Miguel Costa, com quem já trabalhava antes e tem “afinidade para conseguir dirigir com algum à vontade”. Cada semana, as personagens, que não se encontram, desabafam sobre algo diferente.

É tudo feito à distância, à semelhança do que aconteceu com O Mundo não Acaba Assim, que começou por ter uma vida online e foi depois transposto para a RTP. Uma experiência nova para André Murraças: “Cada pessoa filmava efectivamente, num computador ou numa câmara de telefone. Depois iam-me enviando e eu acertava coisas até chegar ao take final”, resume.

Será assim ao longo de cinco semanas. “É uma duração aceitável para uma websérie, uma coisa que vês no telemóvel, a caminho do emprego, ou ainda a tomar o pequeno-almoço. Não pode durar muito tempo, um mês e uma semana é tempo suficiente para ter visibilidade”, diz. Não põe de parte, contudo, a possibilidade de continuar, se a ideia pegar. “Não há uma história, [portanto] se for um fenómeno gigantesco dá para fazer a continuação”, remata.

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