Europeus não querem cidades entupidas de carros nem a poluição pré-pandemia

Sondagem em 21 cidades de seis países comprova que os cidadãos não querem voltar ao nível de poluição pré-pandemia e planeiam andar mais de bicicleta e em transportes públicos seguros.

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Reuters

A pandemia de covid-19 e o confinamento a que obrigou tiveram um profundo impacto na mobilidade e na poluição de ar na Europa. Mas com o desconfinamento, os níveis de poluição e o trânsito automóvel começam a aumentar, tal como aconteceu já na China, que está a regressar aos níveis pré-pandemia. E o mesmo pode acontecer na Europa, se não forem tomadas medidas eficazes contra a poluição do ar proveniente do tráfego rodoviário, ainda que se saiba que a poluição pode ter alavancado o número de mortes por coronavírus.

Uma sondagem revelada nesta quinta-feira mostra que os cidadãos europeus não querem regressar às cidades entupidas de carros nem aos níveis de poluição do ar pré-pandemia. E para isso, uma grande maioria está disposta a fazer mudanças na mobilidade urbana, como abrir espaço público para formas mais limpas de transporte e proibir carros poluentes de entrar nos centros das cidades.

Estas são as principais conclusões de uma grande sondagem feita em 21 das maiores cidades de seis países europeus (Espanha, França, Itália, Alemanha, Bélgica e Reino Unido) pela Aliança Europeia de Saúde Pública (EPHA) e a Federação Europeia de Transportes e Meio Ambiente (T&E), que agrupa organizações não-governamentais da área ambiental e dos transportes. A empresa internacional de sondagens YouGov entrevistou 7.545 adultos de várias faixas etárias, rendimentos e género e as conclusões não deixam margem para dúvidass.

A pesquisa mostra que cerca de duas em cada três pessoas inquiridas (64%) não querem voltar aos níveis de poluição à pré-pandemia depois de experimentarem um bom ar limpo e um pouco mais (68%) apoiam medidas que impeçam os automóveis poluentes de entrar no centro das cidades. São ainda mais (74%) os que exigem protecção contra a poluição do ar, mesmo que isso signifique realocar o espaço público para andar a pé, de bicicleta e transportes públicos. E uma em cada cinco pessoas (21%) planeia pedalar mais, enquanto uma em cada três (35%) afirma que vai andar mais a pé após o confinamento.

Entre as pessoas que usavam o transporte público antes do bloqueio, 54% afirmam que vão voltar usar este meio de transporte se forem tomadas medidas de higiene suficientes, sendo 27% os que voltarão a fazê-lo, independentemente do risco de contágio.

Os promotores da sondagem defendem que estas conclusões “devem servir de alerta para as autoridades municipais, que deveriam proibir carros particulares de combustão e determinar que as frotas públicas e privadas, como táxis, sejam de emissões zero até 2025”. “Modernizar e electrificar a frota de autocarros pode oferecer uma oportunidade ao garantir que as pessoas se sintam seguras e confortáveis”, ao mesmo tempo que se combate a poluição.

As cidades escolhidas para esta sondagem foram aquelas onde o impacto do confinamento na poluição e mobilidade foi mais significativa: Barcelona e Madrid (Espanha), Roma e Milão (Itália), Paris, Marselha, Lille, Lion, Toulouse e Nice (França), Berlim, Hamburgo, Colónia, Frankfurt e Munique (Alemanha), as áreas metropolitanas de Londres e Machester, Birmingham, Leeds e Glasgow (Reino Unido) e Bruxelas (Bélgica).

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