Ciclo negativo do Benfica remete para a época 2007-08

Entre as séries mais cinzentas de resultados das “águias”, a de há 12 anos é aquela que tem mais pontos de contacto com a actual.

Empate em Portimão agravou ciclo negativo do Benfica
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Empate em Portimão agravou ciclo negativo do Benfica LUSA/LUIS FORRA / POOL

É uma série negra e com poucos pontos de contacto na história do Benfica. Com o empate registado na quarta-feira, em Portimão, os “encarnados” elevaram para 10 a sequência de jogos com apenas uma vitória pelo meio, igualando o registo negativo de 2007-08. Na ressaca da 26.ª jornada, em que o FC Porto se isolou novamente no comando da Liga, os lisboetas mantêm a confiança: “Objectivamente, está tudo em aberto”.

É necessário recuar 12 anos para encontrar um ciclo idêntico de jogos. Na altura, entre 6 de Março e 20 de Abril de 2008, José Antonio Camacho e Fernando Chalana (técnico interino chamado para um curto período de emergência) acumularam cinco derrotas, quatro empates e um triunfo apenas (sobre o Paços de Ferreira, por 4-1) numa dezena de partidas. Contas feitas, o Benfica terminaria esse campeonato no quarto lugar, atrás de FC Porto, Sporting e V. Guimarães.

Depois de uma primeira volta demolidora, na presente temporada (que incluiu 11 triunfos numa sequência de 12 encontros), a equipa comandada por Bruno Lage entrou numa espiral negativa e não está a ser capaz de suster a queda. Com aquele que foi o quarto empate seguido no campeonato, o Benfica viu o FC Porto descolar no topo da Liga (agora com mais dois pontos) e acrescentou um capítulo raro ao seu historial.

De resto, não é fácil encontrar no currículo “encarnado” um período tão cinzento. Para além da temporada de 2007-08, algo de parecido aconteceu em 1950-51. Nessa época, com o inglês Ted Smith no banco, o Benfica registou duas vitórias em dez jogos (mais um do que no actual ciclo), mas o que impressionou então foi o número de desaires: seis, entre 12 de Novembro de 1950 e 21 de Janeiro de 1951.

Nos meses de Março e Abril de 1995, também foram duas as vitórias obtidas (ambas tangenciais) num ciclo de uma dezenas de jogos, era Artur Jorge o treinador, numa era que foi de total remodelação de futebol dos “encarnados”, com mudanças muito profundas na equipa técnica e no plantel.

Se juntarmos a performance do final de uma temporada com a do início da seguinte encontramos um registo ainda mais negro. Quatro derrotas a fechar a época de 1996-97, incluindo o desaire na final da Taça de Portugal (frente ao Boavista), um triunfo a abrir 1997-98 e mais sete partidas sem vencer (quatro empates e três derrotas). Uma sequência que custou o cargo de treinador a Manuel José.

O final da temporada de 2000-01 também se revelou penoso para os lados do Estádio da Luz. Duas vitórias apenas em 13 jogos concorreram para o improvável sexto lugar em que o Benfica terminou a Liga, com Toni como técnico principal.

Na corrente época, porém, o contexto classificativo é diferente. As “águias” ainda lutam pelo título e essa ideia também foi vincada na newsletter publicada nesta quinta-feira pelo clube. “Quanto mais depressa reagirmos, mais próximos estaremos de regressar ao trilho do título, o qual nos habituámos a percorrer nos últimos anos (...). Objectivamente, está tudo em aberto. Temos oito finais pela frente e estamos a apenas dois pontos da liderança. No ano passado, esta equipa já demonstrou que tem capacidade e ambição para se manter na luta pelos objectivos do clube”.

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