Lisboa chama mil polícias para travar arraiais de Santo António

Ministra da Saúde nomeou um gabinete regional de intervenção para a supressão da covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, uma estrutura operacional para identificar e acompanhar casos.

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LUSA/Manuel Almeida

Lisboa vai ter mesmo de celebrar o Santo António de forma restrita. Até segunda-feira, não pode haver sardinhada que ultrapasse dez pessoas. E não faltará polícia na rua. A região regista quase todos os novos casos de covid-19. A ministra da Saúde, Marta Temido, até nomeou um gabinete regional de intervenção.

O gabinete regional de intervenção para a supressão da covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo surgiu na terça-feira. O coordenador, o médico de saúde pública Rui Portugal, “integrará todas as autoridades regionais e locais de saúde”. Ao que disse a ministra, na habitual conferência de imprensa, deverá identificar os novos casos e as novas cadeias de transmissão, bem como acompanhar os surtos activos.

A situação não é igual em toda a região. A incidência mais elevada do país concentra-se em cinco concelhos: Loures, Amadora, Odivelas, Sintra e Lisboa. Na última terça-feira, era ali que se congregavam 92% dos 294 novos casos.

Também não é igual nos cinco concelhos. A situação está mais controlada em Lisboa (37,85 por cem mil habitantes). E menos na Amadora (99,6 por cem mil habitantes). Nos outros três municípios, a taxa de incidência ronda os 60.

Para reduzir o foco de contágio nos cinco concelhos mais afectados, investiu-se nos testes. Entre 30 de Maio e 6 de Junho fizeram-se 14.057 colheitas de amostras biológicas nos cinco concelhos e em áreas de actividade caracterizadas por grande rotatividade de trabalhadores, sobretudo construção civil, cadeias de abastecimento, transportes e distribuição, vincou.

Identificaram-se 13 freguesias mais problemáticas, de que são exemplo Queluz/Belas, Águas Livres, Agualva e Mira Sintra, Santo António, Encosta do Sol, Mina de Água, ou Rio de Mouro. E um sector: a construção civil. Segundo Marta Temido, deram positivo 5,3% das amostras recolhidas e houve “10% de casos positivos para aquilo que é a área da construção civil”. Nos “próximos dias”, a Direcção-Geral da Saúde deverá publicar uma norma específica para o sector. A envolver estaleiros, transporte e habitação, nos casos em que esta é fornecida pela empresa, e um reforço da acção da Autoridade para as Condições de Trabalho.

Vem aí um fim-de-semana de risco. Na conferência de imprensa diária de acompanhamento da pandemia, a ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, lembrou que “festas populares e arraiais estão expressamente proibidos”. Até segunda-feira, não são permitidos ajuntamentos de mais de dez pessoas. A partir daí, algumas restrições afrouxam, passam a aplicar-se as mesmas regras que no resto do país, o que quer dizer que podem juntar-se até um máximo de 20 pessoas, mas mantendo distância de segurança. “Em articulação com os municípios e com as forças de segurança, procuraremos garantir que aquilo que está proibido não se realiza”, avisou. Mesmo que essas festas se apresentem como informais e sejam promovidas por estabelecimentos com licença.

A Câmara de Lisboa decidiu que até domingo “todos os estabelecimentos estão proibidos de instalar no espaço público novo mobiliário urbano, como cadeiras, mesas e equipamentos de confecção de alimentos”. Pelo caminho, restringiu os horários de cafés, pastelarias e lojas de conveniência e restaurantes, o que inclui casas de fado. E interditou a venda de bebidas alcoólicas nas lojas das estações de serviço da cidade entre as 16h e as 10h. “As autoridades de segurança vão estar em força nas ruas de Lisboa, com mais de mil agentes da Polícia Municipal e [da] PSP, para fiscalizarem o cumprimento deste despacho com tolerância zero para quem não cumprir.”

Mariana Vieira da Silva reconhece que as festas “têm sido pontos problemáticos nas últimas semanas”. “A ideia de que nos podemos relacionar normalmente sem garantir o distanciamento físico, estando em festas sem sequer conhecer todas as pessoas que lá estão, é errada”, salientou. Importa conhecer com quem se está para, “caso alguém adoeça, reconstituir toda a rede de relação”.