Obs-cu-ra: retratos de um Brasil virado do avesso pela covid-19

Guilherme Santos, a esposa Gabriela Thomaz e o filho Joaquin na sua casa, em Porto Alegre, Brasil. Guilherme é fotógrafo e Gabriela é instrutora de ioga. Aguardam pelo final do confinamento para regressar à rotina. EPA-EFE/GUILHERME SANTOS
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Guilherme Santos, a esposa Gabriela Thomaz e o filho Joaquin na sua casa, em Porto Alegre, Brasil. Guilherme é fotógrafo e Gabriela é instrutora de ioga. Aguardam pelo final do confinamento para regressar à rotina. EPA-EFE/GUILHERME SANTOS

Em situação de confinamento, uma janela pode ser encarada como um símbolo de fronteira entre o interior e o exterior, entre o convívio e a solidão, a liberdade e a prisão. Foi para reforçar essa ideia que Bruno Alencastro, fotógrafo no Rio de Janeiro, no Brasil, decidiu convidar vários colegas de profissão a realizar um retrato que revelasse algo sobre a forma como vivem o confinamento. Mas com uma regra: todos os retratos deveriam incluir o conceito de camera obscura.

O que é a camera obscura? Consiste num quarto ou caixa fechada, cuja única entrada de luz resulta de um pequeno orifício num dos lados. No lado inverso a esse orifício, torna-se possível ver reflectida a imagem do que se passa no exterior da caixa ou do quarto. Mas com uma particularidade: a imagem será invertida. Norte, sul, este e oeste trocam de posição para o seu contrário. E é isso mesmo que vemos nas imagens dos 11 fotógrafos brasileiros que aceitaram o convite de Bruno. Todos os retratados estão no interior de um quarto, numa casa; reflectida na parede, ao fundo, está a realidade do exterior, invertida.

Bruno quis associar este conceito à presente crise pandémica para ilustrar o estranho mundo novo que surgiu repentinamente. O fotógrafo transformou a sua sala-de-estar numa camera obscura e realizou a primeira imagem. O resultado foi muito positivo, pensou. Mas, devido ao confinamento, percebeu que não conseguiria replicar o processo noutros locais. Por isso, pediu a outros fotógrafos que transformassem, também, as suas casas em câmaras pinhole de grande formato e documentassem, da mesma forma, a sua experiência em quarentena. A série de retratos, intitulada obs-cu-ra, representa um mundo — neste caso, um país, o Brasil — virado do avesso pela covid-19.

Bruno Alencastro e Greyce Vargas na sua casa, no Rio de Janeiro, Brasil. Estão em confinamento desde Março.
Bruno Alencastro e Greyce Vargas na sua casa, no Rio de Janeiro, Brasil. Estão em confinamento desde Março. EPA-EFE/BRUNO ALENCASTRO
Clarissa Pont na companhia dos seus filhos, Sebastião e Mathias, na sua casa em Porto Alegre, Brasil
Clarissa Pont na companhia dos seus filhos, Sebastião e Mathias, na sua casa em Porto Alegre, Brasil EPA-EFE/EDUARDO SEIDL
Os filhos de Pedro Rocha, Mathias Rocha e Lúcia Rocha, posam para o retrato em Três Coroas, Brasil. O retrato foi realizado no interior de uma tenda que montaram junto ao local onde vivem. Ter filhos durante o confinamento pode ser um desafio para os pais. Felizmente, Pedro e a família vivem numa área florestada, o que lhes permite escapar para um local natural para fugir à rotina.
Os filhos de Pedro Rocha, Mathias Rocha e Lúcia Rocha, posam para o retrato em Três Coroas, Brasil. O retrato foi realizado no interior de uma tenda que montaram junto ao local onde vivem. Ter filhos durante o confinamento pode ser um desafio para os pais. Felizmente, Pedro e a família vivem numa área florestada, o que lhes permite escapar para um local natural para fugir à rotina. EPA-EFE/PEDRO ROCHA
Felipe Martini e Rafaela di Giorgio em sua casa, no Rio de Janeiro, Brasil. O casal foi forçado a cancelar o casamento e a sua mudança para Espanha devido à pandemia de covid-19.
Felipe Martini e Rafaela di Giorgio em sua casa, no Rio de Janeiro, Brasil. O casal foi forçado a cancelar o casamento e a sua mudança para Espanha devido à pandemia de covid-19. EPA-EFE/FELIPE MARTINI
Caroline Muller, de 24 anos, na sua casa em São Leopoldo, Brasil. Caroline é fotógrafa e bailarina e encontra-se em confinamento na companhia do namorado, que é estudante de medicina e trabalha na linha da frente no combate à covid-19, na sua cidade.
Caroline Muller, de 24 anos, na sua casa em São Leopoldo, Brasil. Caroline é fotógrafa e bailarina e encontra-se em confinamento na companhia do namorado, que é estudante de medicina e trabalha na linha da frente no combate à covid-19, na sua cidade. EPA-EFE/CAROLINE MULLER
Rodrigo Blum, de 31 anos, na sua casa, em São Leopoldo,  Brasil. Rodrigo é fotógrafo e está sem trabalho devido à covid-19. A fotografia foi tirada no seu dia de aniversário, que celebrou sozinho pela primeira vez na sua vida.
Rodrigo Blum, de 31 anos, na sua casa, em São Leopoldo, Brasil. Rodrigo é fotógrafo e está sem trabalho devido à covid-19. A fotografia foi tirada no seu dia de aniversário, que celebrou sozinho pela primeira vez na sua vida. EPA-EFE/RODRIGO W BLUM
Beatriz Grieco, de 21 anos, é estudante de cinema e posa para o retrato no interior da sua casa, Niteroi, Brasil. Beatriz está isolada em casa na companhia da sua família. Durante a quarentena, estuda, vê televisão e faz videoconferências com os amigos e colegas de faculdade.
Beatriz Grieco, de 21 anos, é estudante de cinema e posa para o retrato no interior da sua casa, Niteroi, Brasil. Beatriz está isolada em casa na companhia da sua família. Durante a quarentena, estuda, vê televisão e faz videoconferências com os amigos e colegas de faculdade. EPA-EFE/BEATRIZ GRIECO
Josué Braun, de 36 anos, na sua casa, em Feliz, Brasil Josué é fotógrafo e músico, e com a pandemia de covid-19 perdeu todas as suas fontes de rendimento.
Josué Braun, de 36 anos, na sua casa, em Feliz, Brasil Josué é fotógrafo e músico, e com a pandemia de covid-19 perdeu todas as suas fontes de rendimento. EPA-EFE/JOSUE BRAUN
Leonardo Savaris, a esposa Michele e o filho Liam na sua casa, em Novo Hamburgo, Brasil. O seu dia-a-dia passa por manter entretida a criança no interior de um apartamento.
Leonardo Savaris, a esposa Michele e o filho Liam na sua casa, em Novo Hamburgo, Brasil. O seu dia-a-dia passa por manter entretida a criança no interior de um apartamento. EPA-EFE/LEONARDO SAVARIS
Ursula Jahn na sua casa, em Montenegro, Brasil. Ursula é artista plástica e teve todos os eventos relacionados com trabalho cancelados devido à pandemia de covid-19.
Ursula Jahn na sua casa, em Montenegro, Brasil. Ursula é artista plástica e teve todos os eventos relacionados com trabalho cancelados devido à pandemia de covid-19. EPA-EFE/URSULA JAHN
Eveline Medeiros, de 25 anos, na sua casa em Cachoeirinha, Brasil. Eveline é fotógrafa e terapêuta holística e vive com os seus pais, que têm idade avançada. Eveline e os pais pertencem ao grupo de risco e, por esse motivo, evitam todo o contacto com o exterior.
Eveline Medeiros, de 25 anos, na sua casa em Cachoeirinha, Brasil. Eveline é fotógrafa e terapêuta holística e vive com os seus pais, que têm idade avançada. Eveline e os pais pertencem ao grupo de risco e, por esse motivo, evitam todo o contacto com o exterior. EPA-EFE/EVELINE MEDEIROS
Sofia Wolffenbutel, de 13 anos, posa para o retrato na sua casa, em Florianópolis, Brasil. A fotografia foi tirada pelo pai, Ricardo Wolffenbutel, que é fotógrafo e viu o seu trabalho afectado pela pandemia de covid-19.
Sofia Wolffenbutel, de 13 anos, posa para o retrato na sua casa, em Florianópolis, Brasil. A fotografia foi tirada pelo pai, Ricardo Wolffenbutel, que é fotógrafo e viu o seu trabalho afectado pela pandemia de covid-19. EPA-EFE/Ricardo Wolffenbutel
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