Supremo Tribunal espanhol vai investigar papel do ex-rei Juan Carlos na concessão do TGV de Meca

Exsiste a suspeita de terem sido pagas comissões ilegais (80 milhões de euros) e é preciso apurar o papel do antigo monarca e até que ponto está abrangido pela imunidade do cargo.

Juan Carlos I da Espanha
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Juan Carlos de Borbón FRANCOIS LENOIR/Reuters

A Justiça espanhol abriu uma investigação ao rei emérito Juan Carlos para apurar o seu papel na adjudicação do contrato de uma linha de alta velocidade na Arábia Saudita. A inspecção de finanças do Supremo Tribunal vai apurar se Juan Carlos pode ser incluído no processo ou se estava protegido pela imunidade do cargo até Junho de 2014, quando abdicou a favor do filho Felipe, diz o comunicado do tribunal emitido nesta segunda-feira.

Em causa está a adjudicação do TGV de Meca a empresas espanholas, e a suspeita de ter havido pagamento de comissões ilegais. O Ministério Público enviou o caso para o Supremo por “uma das pessoas envolvidas nos factos ser o então rei Juan Carlos de Borbón”, que já não tem imunidade mas que só pode ser investigado por esta instância jurídica, cita o jornal La Vanguardia

A investigação agora em curso vai apurar se há relevância penal nos acontecimentos que ocorreram depois de Junho de 2014, quando Juan Carlos deixou de estar protegido pelo artigo 56.3 da Constituição que reconhece os monarcas como chefes de Estado. 

Segundo o jornal espanhol El País, a investigação refere-se à segunda fase de construção da linha de alta velocidade a unir as cidades sauditas de Medina e Meca. A suspeita de que o rei tinha cobrado comissões foi levantada por José Manuel Villarejo, que gravou uma conversa tida em 2015 com uma amiga íntima do rei, Corinna Larsen, que mencionava terrenos em Marrocos e contas na Suíça de Juan Carlos que eram geridas por testas de ferro. Na conversa, faz também referência a comissões recebidas pelo contrato da linha de alta velocidade em Meca, adjudicada em 2011 a 12 empresas espanholas - as comissões, disse a amiga do rei, ascenderam a 80 milhões de euros. 

Na sequência da polémica, Juan Carlso de Borbón contratou um advogado de defesa, Javier Sánchez-Junco, antigo magistrado anti-corrupção, e através de um comunicado o rei Felipe VI anunciou que renunciava à herança do pai.

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