Municípios insistem em construir miradouro nas Fisgas de Ermelo

Projecto Fisgar o Alvão foi rejeitado pelo Turismo de Portugal, mas as câmaras de Vila Real e Mondim de Basto tentam encontrar forma de o financiar.

As fisgas do Ermelo são um dos atractivos do Parque Natural do Alvão
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As fisgas do Ermelo são um dos atractivos do Parque Natural do Alvão JOAO GUILHERME

Os municípios de Vila Real e Mondim de Basto insistiram esta segunda-feira na importância do projecto Fisgar o Alvão que visa melhorar os acessos ao miradouro das Fisgas de Ermelo e cuja candidatura foi reprovada pelo Turismo de Portugal. O projecto foi apresentado no ano passado e tem como objectivo melhorar as condições de visita ao miradouro das quedas de água das Fisgas de Ermelo, no rio Olo, que têm um desnível de cerca de 400 metros, são consideradas uma das maiores da Península Ibérica e são um dos locais mais visitados do Parque Natural do Alvão (PNA), no distrito de Vila Real.

O Fisgar o Alvão representa um investimento de cerca de 450 mil euros e foi alvo de uma candidatura para apoio do Turismo de Portugal, a qual foi, no entanto, reprovada. A vereadora do pelouro do Ambiente da Câmara de Vila Real, Mafalda Vaz de Carvalho, aproveitou o Dia Aberto do PNA, que hoje assinalou o 37.º aniversário desta área protegida, para lembrar que o projecto “não mereceu grande simpatia" e pedir que o “Turismo de Portugal “olhe para a contestação”, entretanto apresentada, “com algum carinho”. No evento marcaram presença o presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) e a directora regional do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) do Norte.

O vereador dos pelouros da Cultura, Desporto e Juventude de Mondim de Basto, Nuno Laje, salientou que o objectivo é que o “miradouro nas Fisgas seja acessível a pessoas com mobilidade reduzida”. O projecto para o miradouro do Fojo, do qual se podem observar as quedas de água, prevê a criação de uma plataforma de observação da paisagem com acessos pedonais de acesso universal e áreas de estadia, além da criação de zonas de estacionamento para viaturas ligeiras, para bicicletas, motociclos e lugares para pessoas com mobilidade reduzida.

Combate a espécie invasora

No ano passado, durante uma visita ao local, o ministro da Economia deixou a garantia de que iria ser encontrada uma “forma de financiamento” para o projecto, “dentro dos programas comunitários disponíveis ou através do Turismo de Portugal”. A ideia passa pela colocação de uma “estrutura simples, com um impacto visual mínimo”, mas que daria resposta a “uma pretensão antiga” de “ter melhores condições para observação da paisagem” e possibilitar também “o acesso de pessoas com mobilidade reduzida”. O projecto integra ainda trilhos pelo território e Mafalda Vaz de Carvalho apontou também a realização de um documentário que pretende divulgar nacional e internacionalmente o PNA.

A directora regional do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) do Norte, Sandra Sarmento, referiu que ainda este ano deve arrancar o projecto Restalvão que visa o restauro de habitats naturais no PNA e áreas contíguas, ameaçados pela espécie invasora “hakea sericea”. Aprovado pelo POSEUR em Novembro e com a duração de dois anos, o Restalvão tem um investimento de 492 mil euros e inclui a realização de acções de controlo e erradicação de háquea-espinhosa, controlo de vegetação espontânea, bem como o aproveitamento e condução de regeneração natural e correcção de densidades.

“É um projecto que prevemos que se inicie ainda este ano, que envolve a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e prevê também alguma formação das equipas no sentido de identificar os melhores métodos de controlo da háquea”, afirmou Sandra Sarmento. A responsável elencou ainda o projecto que está a ser desenvolvido no rio Olo, onde está implementada uma zona de pesca reservada que tem sido palco para concursos internacionais. Aqui são também desenvolvidas acções de repovoamento de espécies piscícolas.

Depois da vontade manifestada pelos municípios de Mondim de Basto e de Vila Real, vai ser desenvolvido no PNA um modelo de co-gestão que abrangerá ainda instituições de ensino superior, organizações não-governamentais ou conselhos directivos de baldios, semelhante ao que o Ministério do Ambiente está a estabelecer noutras áreas protegidas.