O Butão não tem pressa em regressar ao turismo: “a felicidade é um espaço”

O país dos Himalaias, que valoriza mais o indíce de felicidade do que o PIB, ainda não tem data para reabrir-se ao mundo. Enquanto isso, aproveita para reforçar a oferta de turismo de bem-estar. Sempre à margem do turismo de massas.

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O mosteiro budista ParoTaktsang Palphug Buddhist, o "ninho do tigre", Paro, Butão REUTERS/Adrees Latif
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À distância: o mosteiro budista ParoTaktsang Palphug Buddhist, o "ninho do tigre", Paro, Butão REUTERS/Adrees Latif
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Buda, Kuensel Phodrang em Thimphu, Butão REUTERS/Singye Wangchuk
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Wangdue Phodrang Dzong em Thimphu, Butão REUTERS/Singye Wangchuk
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Wangdue Phodrang Dzong em Thimphu, Butão REUTERS/Singye Wangchuk
,Mo Chhu
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Punakha Dzong, Punakha , Butão REUTERS/Michael Smith
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Raparigas em trajes tradicionais, Rinpung Dzong, vale de Paro, Butão REUTERS/Michael Smith
Chaves para Butão
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Cidadãos seniores, em trajes tradicionais, durante um festival budista em Thimphu, Butão REUTERS/Michael Smith
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Turistas no Butão (2012), em Thimphu REUTERS/Singye Wangchuk
Paro Taktsang
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Gongzok Choten, Thimphu, Butão REUTERS/Singye Wangchuk
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Festival Tsechu, em Thimphu, Butão REUTERS/Singye Wangchuk
Jigme Khesar Namgyel Wangchuck
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Um jovem monge olha pela janela de um templo do vale de Paro, Butão REUTERS/Singye Wangchuk
Jigme Dorji Wangchuck
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Em Thimphu, capital do Butão REUTERS/Singye Wangchuk
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Monges budistas durante orações, em Tsheph, vale de Punakha, Butão Reuters/Desmond Boylan
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Vista aérea da caputal do Butão, Thimphu REUTERS/Adrees Latif

Montanhas majestosas, vales deslumbrantes (ou não estivesse “pendurado” nos Himalaias), rios cristalinos, mosteiros cénicos, pessoas sorridentes, tradições seculares incrustadas no quotidiano, incenso e mantras no ar. O Butão pode ter só abolido a escravatura nos anos de 1950, mas na década de 1970 o monarca já não tinha dúvidas: “A Felicidade Interna Bruta é mais importante do que o Produto Interno Bruto”, declarou e, desde então, o pequeno reino tem tentado viver à altura deste objectivo que foi, entretanto, integrado na constituição nacional e dado como exemplo na Assembleia Geral das Nações Unidas que, em 2011, passou a resolução “Felicidade: para uma abordagem holística ao desenvolvimento”.

Não surpreende, portanto, que o país, embora fortemente dependente das receitas turísticas, não esteja numa corrida desenfreada para voltar a abrir portas ao turismo. E que esteja a aproveitar esta “pausa” para reforçar a sua filosofia “Alto Valor, Baixo Volume”.

Se o turismo de massas sempre foi algo a evitar pelo governo butanense, agora é (ainda mais) um trunfo: quem vai ao Butão em tempos de distanciamento social pode ter a certeza de que não vai encontrar magotes de turistas. Porque já não os encontrava neste país que sempre praticou o turismo sustentável baseado na capacidade da sua natureza e na sua realidade sócio-cultural e infra-estrutural, como sublinhou o director geral do Turismo, Dorji Dhradhul, em entrevista recente à revista Forbes. E com uma densidade populacional de menos de 20 habitantes por Km2, o slogan turístico do Butão durante décadas – a “Felicidade é um lugar”  não se perdeu, mas em tempos de pandemia (até final de Maio o país teve apenas 59 casos de Covid-19, “todos importados”) é  reforçado: “Felicidade é um espaço”.

Em farto espaço natural intocado, vai ser acrescentada oferta para colocar o Butão entre os destinos de bem-estar mundiais. Numa altura em que, assinala Dhradhul, “esta tendência de viagem vai crescer, à medida que as pessoas vão reflectir sobre as suas vidas, o que verdadeiramente conta para elas e, provavelmente, vão procurar maneiras de melhorar o seu bem-estar mental e físico”, o antigo Menjong, “a terra das ervas medicinais”, prepara-se para reforçar as ofertas para corpo, mentes e espírito. Do ioga aos ensinamentos da filosofia budista, dos retiros às peregrinações (mais ou menos pessoais), dos tratamentos de medicina tradicional ao spas com experiências distintas - “Tudo para ser vivido num ambiente calmo e espaçoso”, nota Dhradhul (e, acrescentamos, no único país do mundo com pegada de carbono negativa).

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Vista aérea da capital do Butão, Thimphu REUTERS/Adrees Latif

Relaxar, reflectir, recarregar energias, recomeçar é o que o Butão quer proporcionar aos visitantes a quem quer ainda tornar mais fácil as viagens. A começar pelos procedimentos de entrada no país, que até agora têm de ser feitos através de um operador turístico local e envolvem pagamentos com transferências bancárias. A ideia agora é que se possam começar a fazer online e com cartões de crédito – e também que se estabeleçam mais ligações aéreas directas com o país, neste momento dependente de cinco “portas de entrada” (Tailândia, Índia, Singapura, Nepal e Bangladesh).

Mas tudo em segurança para habitantes e locais. Uma vantagem que o país já possui é, por exemplo, a obrigatoriedade de se viajar no Butão com um guia (estabelecida desde a abertura do país ao turismo), “especialmente importante quando a quarentena está a tornar-se a nova norma”. Mas a possibilidade de se fazerem testes rápidos à chegada está em cima das mesas e já há uma aplicação de rastreamento de contactos em funcionamento no país. Esperam-se ainda mais medidas da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde nacional: quando os outros países (incluindo os que fazem a ponte área) se abrirem, o Butão estará sereno, como sempre, à espera de contaminar quem o visite. Mas com alguma da sua serenidade.

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