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Eles arquitectam as exposições em que não podemos tocar

Ricardo e Gisela são arquitectos, fascinados por exposições e pelo digital. Um dia, a tecnologia com que sonhavam apareceu e permitiu juntar os dois mundos num plano de arquitectura imersiva. São eles que fazem as visitas virtuais de instituições como o MAAT ou a Fundação de Serralves.

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Foto
Ricardo Oliveira e Gisela Mascarenhas Daniel Rocha

Em mais de 50 anos de carreira artística, Paula Rego não tomou o hábito de faltar às inaugurações. Ia sempre. Queria ver como tinham ficado organizados os desenhos e as pinturas, mas também como as pessoas olhavam para eles. Daquela vez, no entanto, prestes a completar 85 anos, não conseguiu ir à sua Casa das Histórias, em Cascais, e passear pela exposição Paula Rego: Desenhar, Encenar, Pintar. Em casa, o filho colocou um ecrã em frente à pintora e ela, com o dedo habituado a pincéis, pôde percorrer o espaço, estar “presente”. “O filho conta que ela sentiu uma emoção enorme” e “quis logo saber como podia partilhar com os amigos”. Ainda não tínhamos entrado no ritmo da pandemia (a exposição inaugurou a 5 de Dezembro de 2019) nem na explosão de visitas virtuais a museus e outros espaços culturais, mas já a vida online das artes mostrava uma das facetas da sua pertinência.