Da presença do mestre ausente: António Reis

Chegou à escola de cinema “como uma torrente”. Estre livro procura pensar o património dos seus ensinamentos.

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António Reis, por Eduardo Luiz, de Poemas do Cais (Porto: Livraria Portugália, 1949)

No que respeita ao cinema de António Reis (1927-1991) pode dizer-se que, apesar de os seus filmes ainda não terem uma circulação comercial generalizada, em sala ou DVD, o esforço de preservação e digitalização dos seus filmes levada a cabo pela Cinemateca Portuguesa, ou a regular exibição da sua obra em festivais e ciclos (como mais recentemente no Porto/Post/Doc em 2018), tem contribuído para pensar o seu legado fílmico. A mesma coisa pode dizer-se quanto à sua obra poética, com a reedição em 2017 dos seus Poemas Quotidianos. Já o mesmo não pode afirmar-se quanto à difícil tarefa de pensar e dar corpo a uma outra dimensão da sua carreira, a de professor de cinema. É esse o objectivo que paira sobre Descasco as Imagens e Entrego-as na Boca, editado agora com a chancela Documenta, e que reúne um conjunto de textos que tiveram origem numa homenagem intitulada “Lições António Reis”, que decorreu na abertura do ano lectivo de 2018 na Escola Superior de Teatro e Cinema. Recorde-se que Reis foi professor naquela escola entre 1977 e 1991 e maître à penser de toda uma geração de cineastas portugueses, como são os casos de Pedro Costa, Vítor Gonçalves, Manuel Mozos, Joaquim Sapinho, João Pedro Rodrigues ou Manuela Viegas, entre outros.