Novo crédito ao consumo caiu para metade em Abril

Os empréstimos para habitação diminuíram 13% no mês em que boa parte do comércio e serviços esteve encerrada.

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Crédito para compra de automóveis representa uma fatia importante do crédito ao consumo Miguel Manso

Os particulares recorreram menos ao crédito durante o estado de emergência, que vigorou em Abril, e que levou ao encerramento de muitas actividades comerciais e de serviços. Os dados relativos a este mês, divulgados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal, mostram uma queda para cerca de metade no novo crédito ao consumo, com o montante a ficar em 177 milhões de euros, contra 421 milhões do mês anterior.

Ainda no crédito a particulares, mas para fins como educação ou saúde, o montante contratado ficou em 131 milhões de euros, bem longe dos 240 milhões verificados em Março.

Durante o mês de Abril, o consumo das famílias caiu significativamente. Apesar de um aumento na compra de alguns bens, como electrodomésticos ou material informático, a queda noutros, como a dos automóveis, foi muito elevada.

Apesar da queda em montante, a taxa de juro do crédito ao consumo manteve a tendência de descida, caindo de 6,67%, em Março, para novo mínimo, de 5,76%, no mês da Páscoa, este ano marcada pelo confinamento dos portugueses. A mesma tendência verificada nos empréstimos para outros fins, que se fixou em 3,26%, contra 3,67% de Março.

A queda nos novos empréstimos também se observou no crédito para compra de habitação, que totalizou 831 milhões de euros, menos de 121 milhões face ao valor de Março, que ascendeu a 952 milhões de euros, e o valor mensal mais baixo desde Agosto de 2019. Este crédito envolve processos de contratualização mais complexos e demorados, pelo que o impacto económico da pandemia de covid-19, na compra de casas e de outras actividades, deverá estender-se aos próximos meses.

A taxa de juro média do crédito à habitação contratado em Abril subiu muito ligeiramente, um ponto base, fixando-se em 1,03%, contra 1,02% do mês anterior.

A taxa de juro média dos novos empréstimos concedidos às empresas diminuiu dois pontos base, face a Março, para 2,08%, atingindo um novo mínimo histórico pelo segundo mês consecutivo.

Taxas de juro de novas operações de depósitos até um ano manteve-se nos 0,07%.