Governo prevê queda da economia de 6,9% este ano

Com a economia a registar “uma queda abrupta”, Executivo vê taxa de desemprego aproximar-se dos 10% este ano. Projecções são ainda assim, mais optimistas que as apresentadas pelo Conselho das Finanças Públicas.

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LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

Na primeira vez que avança com previsões para a economia desde o início da pandemia, o Governo revelou estar ligeiramente mais pessimista do que estava a Comissão Europeia há cerca de um mês, mas mais optimista do que o Conselho das Finanças Públicas, antecipando uma contracção do PIB este ano de 6,9%, que levará a taxa de desemprego para valores próximas de 10%.

Na conferência de imprensa de apresentação do Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) - onde o Executivo define as medidas de apoio às empresas, trabalhadores e famílias que pretende colocar em vigor até ao final deste ano – António Costa afirmou que um cenário macro-económico iria ser incluído no documento. No entanto, ficou a saber-se mais tarde, um conjunto completo de projecções para a economia apenas estará disponível para a semana, no momento de apresentação da proposta de alteração do orçamento.

Ainda assim, o primeiro-ministro acabou por adiantar dois valores, que dão já uma ideia daquilo que o Executivo está à espera que aconteça à economia este ano.

António Costa disse que o PIB irá cair 6,9% este ano e que a taxa de desemprego irá subir dos 6,5% de 2019 para 9,6% em 2020.

O que isto revela é que o Governo está ligeiramente mais pessimista que a Comissão Europeia, que no início de Abril apontou para uma quebra da economia de 6,5%, com a taxa de desemprego a subir para 9,7%.

Na terça-feira, o Conselho das Finanças Públicas (CFP) também apresentou as suas previsões, traçando dois cenários. No cenário base, a queda prevista do PIB para este ano foi de 7,5%, no cenário severo bem pior, de 11,8%. Para a taxa de desemprego, nos dois cenários, o valor previsto supera a barreira dos 10%.

O que não se fica a saber é aquilo que o Governo espera para os anos seguintes, nomeadamente de que forma é que antecipa que a economia recupere deste ano que, em qualquer dos casos, será sempre o pior de que há registo estatístico. Para a Comissão Europeia, a seguir à contracção de 6,5% de 2020, a economia crescerá 5,8% em 2021. O CFP, por seu lado, espera no cenário base uma variação positiva do PIB de 3% em 2021 e de 2,6% em 2022. E, no cenário severo, depois de uma quebra mais forte em 2020, as taxas de variação são ligeiramente mais positivas nos anos seguinte: 4,7% em 2021 e 3,2% em 2022.

Esta quinta-feira, António Costa reconheceu que, apesar do “sucesso no controlo da pandemia”, “houve uma queda abrupta na economia”. “A queda mais abrupta da economia desde 1929, mas foi possível com medidas de apoio, mitigar os efeitos de uma crise económica e social muito profunda”, disse.

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