Jorge Palma: 70 anos, 7 canções

São sete décadas bem cumpridas, são mais de cinco décadas sob o nosso olhar, desde os distantes Sindicato, nos anos 1960, até este presente em que o celebramos como um dos grandes artífices da melodia e da palavra na música portuguesa.

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Jorge Palma Paulo Pimenta

São 70 anos no mundo, são mais de cinco décadas sob o nosso olhar, enquanto membro de bandas como os Sindicato, no final da década de 1960, enquanto orquestrador, na década seguinte, de uma diversidade de músicos, enquanto músico a solo, e aqui é que nossa história com ele começa verdadeiramente. Primeiro, o inglês e o psicadelismo, na estreia em single com The nine billion names of God, em 1972, depois, a viragem decisiva, sob impulso e influência de Ary dos Santos, para a expressão na língua que é a sua e que trataria de forma magistral em canção, como testemunhámos em 1975, ano da edição do primeiro álbum a solo, Com uma Viagem na Palma da Mão.

O que se seguiu, depois desse álbum marcado pela ambição conceptual e sonora do rock progressivo, mas onde já sobressaia a sua marca enquanto autor, foi um aprimorar da linguagem e da composição, ao piano ou à guitarra, com banda ou sem ninguém por perto. O que se seguiu foram álbuns como O Lado Errado da Noite (1985), Bairro do Amor (1989) ou (1991), foram as personagens, as imagens e as canções que inscrevemos na memória colectiva, das paisagens oníricas de Estrela do mar à voz interventiva de Portugal, Portugal, da utopia de Bairro do amor a esse anti-herói romântico de seu nome Jeremias. 

Vimo-lo a liderar uma super banda com Zé Pedro, Kalú, Flak e Alex Cortez, os Palma's Gang — estávamos nos anos 1990 —, vimo-lo em palcos e palcos país fora, guiado pela inspiração do momento, livre e imprevisível. Vimo-lo, mais recentemente, juntar-se a um companheiro de estrada chamado Sérgio Godinho para partilhar e trocar canções — estávamo em 2015. 

70 anos passam então desde o nascimento em Lisboa de Jorge Manuel de Abreu Palma. Culpa de uma certa pandemia, não haverá festa de aniversário partilhada entre ele e o público, mas a sua agência, a Bairro do Som, informa que as redes sociais de Palma estarão abertas durante todo o dia a mensagens, evocações, felicitações, e convida-nos a passar por lá para ler, celebrar, participar. Entretanto, a Valentim de Carvalho oferece como prenda a disponibilização nas plataformas de streaming de Com uma Viagem na Palma da Mão e Té Já (1977).

Aqui no PÚBLICO, escolhemos sete canções, uma por cada década de uma vida, perfeitamente conscientes que, por cada uma delas, muitas eram as outras que poderiam candidatar-se ao lugar. São as boas consequências de uma vida bem vivida, de uma carreira muito preenchida.

The nine billion names of god

Com uma viagem na palma da mão

O bairro do amor

Jeremias, o fora-da-lei

Frágil

Estrela do Mar

Portugal, Portugal