A fita-cola é a nova forma de comunicar — e de assegurar o distanciamento social

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Cruzes, setas, linhas. Nas paredes, chão e bancos de todo o mundo, elementos variados, criados com recurso a fita-cola, têm aparecido para ajudar a cumprir o distanciamento social que a covid-19 obriga a manter. É uma nova forma de sinalização e se, por vezes, parece uma confusão, outras, acaba por fazer nascer padrões inesperados. E essas imagens não passam despercebidas à conta de Instagram tape_measures.

Criada pela artista Berny Tan, a página reúne "intervenções gráficas vernaculares", criadas depois de as medidas de segurança terem sido implementadas na Singapura, de onde é natural. Em apenas três semanas, Berny conseguiu reunir mais de 300 fotografias que mostravam como o mesmo material tinha sido usado de diferentes formas, construindo assim "uma versão efémera de arquitectura para prevenir o surto de covid-19". Actualmente, conta com quase mil publicações. É que, apesar de ter começado com o intuito de documentar a sinalética usada em Singapura, a conta acabou por reunir imagens de diversos países, sendo que qualquer pessoa pode contribuir para esta biblioteca: basta enviar uma fotografia e indicar a localização e data. "Esta é uma forma eficiente de comunicar sem utilizar palavras", disse à revista Eye on Design.

Olhando para as submissões que tem recebido, estima que 90% dos sinais de Singapura sejam criados a partir de fita. E já encontra semelhanças: os pontos para fumadores e estacionamentos para bicicletas partilhadas são tipicamente marcados com caixas amarelas, por exemplo. A sua parecença com a sinalética utilizada na estrada (onde caixas com duas linhas amarelas e uma cruz dentro significam que não é possível estacionar), permite um melhor entendimento dos sinais, diz a artista. Mas, ainda assim, refere, há quem confunda e assuma que os locais marcados com X são aqueles onde as pessoas devem estar. 

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