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Secretário da Defesa contraria Trump e opõe-se à mobilização do exército para conter protestos

Chefe do Pentágono defende que a intervenção militar dentro do próprio país deve ser o “último recurso”. Presidente norte-americano ameaçou convocar os soldados à revelia dos governadores.

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Mark T. Esper, secretário da Defesa Reuters/CARLOS BARRIA

Donald Trump ameaçou mobilizar o exército dos Estados Unidos, à revelia dos governadores estaduais, para conter os protestos em todo o país, por causa da morte de George Floyd às mãos da polícia de Mineápolis. Mas o secretário de Defesa norte-americano, Mark T. Esper, opôs-se esta quarta-feira a essa possibilidade, argumentando que a intervenção militar só deve ser ponderada como “último recurso” e que o cenário actual não a justifica.

“A opção de empregar forças militares para fazer cumprir a lei deve ser uma questão de último recurso e apenas na mais urgente e extremada das situações. De momento, não nos encontramos em nenhuma dessas situações”, afirmou o líder do Pentágono em conferência de imprensa. “Não apoio a invocação do Insurrection Act”, sentenciou.

Datado de 1807 e aplicado pela última vez em 1992 durante os motins de Los Angeles, o Insurrection Act regula a possibilidade de se colocarem soldados norte-americanos a intervirem dentro de portas, através de decreto presidencial. 

O princípio geral é o de que cabe ao poder estadual solicitar à Casa Branca que disponibilize as tropas nacionais, mas a legislação dá ao Presidente hipótese de tomar essa decisão unilateralmente em casos de “obstruções, configurações ou ajuntamentos ilegais” ou de “rebelião contra a autoridade dos EUA”, que tornem “impraticável” a aplicação da lei do país “em qualquer estado”.

Face aos protestos dos últimos oito dias em mais de 140 cidades dos EUA – muitos deles violentos, como pilhagens, motins e confrontos entre manifestantes e polícias –, os governadores de mais de 20 estados mobilizaram a Guarda Nacional para ajudar as forças de segurança locais e têm-se mostrado contra a intervenção do exército.

Mas o Presidente Trump, que tem recorrido constantemente às redes sociais para criticar o poder estadual e responsabilizar os governadores – particularmente os democratas – pela “péssima resposta” à violência urbana, ameaçou tomar essa decisão sem esperar pela sua aprovação.

“Se uma cidade ou um estado se recusar a tomar as medidas necessárias para defender a vida e a propriedade dos seus residentes, irei mobilizar o exército dos Estados Unidos e resolver rapidamente o problema por eles”, prometeu na segunda-feira.

Em reunião com os governadores, nesse mesmo dia, rotulou-os de “fracos” e exigiu-lhes que “prendam pessoas” e as mandem para a prisão “por longos períodos de tempo”, para não correrem o risco de “parecer um bando de idiotas”.

Esta quarta-feira, Esper disse, no entanto, que a Guarda Nacional é a força “mais adequada” para lidar com os protestos em cada um dos estados. 

E numa linha bastante divergente da mensagem “Law & Order” (lei e ordem) que o Presidente tem vindo a intensificar em cada intervenção pública ou no Twitter, o secretário de Defesa pediu desculpa por ter utilizado anteriormente o termo “campo de batalha” para descrever as zonas mais afectadas pela desordem.

“Em retrospectiva, teria utilizado uma expressão diferente para não tirar o foco das questões mais importantes que temos que resolver e para não permitir que se sugira que estamos a militarizar o problema”, assumiu Mark Esper.

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