Reportagem

Segurança apertada não agradou aos Super Dragões

Claque portista não gostou de ter ficado tão longe do estádio do Famalicão. Objectivo era fazer-se ouvir no interior do estádio e durante os primeiros 45 minutos os adeptos soltaram o apoio que mantiveram engarrafado durante três longos meses de confinamento.

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Quem está habituado à agitação dos grandes jogos em Famalicão não conseguia esconder alguma estranheza com o silêncio que envolvia as ruas que circundam o Estádio Municipal. As nuvens carregadas que ameaçavam chuva também não eram propriamente convidativas. A três horas da partida, uma adepta com a camisola dos “dragões” já aguardava a passagem dos autocarros das equipas. Sílvia Ribeiro olhava com tristeza dupla para a impossibilidade de assistir à partida: “Sou adepta do Famalicão. Mas torço pelo FC Porto há mais anos, por isso quero que eles ganhem. Estou só à espera que eles cheguem, depois vou para o café ver o jogo. Mas gostaria tanto de estar na bancada...”

Apesar de o jogo ser à porta fechada, a presença policial era claramente preventiva. Força de intervenção, spotters e agentes da PSP controlavam todas as vias de acesso e procuravam garantir o distanciamento social entre todos os adeptos que se começavam a juntar aos poucos nas imediações do estádio.

A preocupação não era de todo infundada: a maior claque de apoio dos portistas, os Super Dragões, anunciou a intenção de levar centenas de associados para as imediações do reduto famalicense, de modo a fazer chegar aos seus jogadores os cânticos que terão de ficar de fora da bancada nas próximas dez jornadas. A segurança apertada, contudo, não agradou a toda a gente.

“Expectativas para hoje? Olhe, não são muitas. Estamos limitados a um terço da lotação, não podemos ter pessoas em pé. Fecharam a rua em baixo, os adeptos não podem vir cá para cima. A polícia já disse que não deixava a claque passar. Se calhar se fosse no Campo Pequeno já podia ser”, lamentava João Santos, gerente do bar da casa do FC Porto de Vila Nova de Famalicão. Com mais de 2700 associados, é o ponto de encontro de adeptos na cidade durante os encontros. Esta quarta-feira estariam limitados a receber menos de uma centena.

PÚBLICO -
Adriano Miranda

Foi precisamente estas frustrações que os portistas transmitiram a Jorge Nuno Pinto da Costa, o presidente dos “dragões”. Após a chegada do autocarro, o dirigente portista dirigiu-se, equipado com a máscara oficial do clube, ao encontro dos associados da casa do clube.

Pinto da Costa e a falta de adeptos

Uns cumprimentos com cotovelo e umas selfies depois, ​Pinto da Costa afirmou ao PÚBLICO que a última recordação de um jogo à porta fechada em 38 anos de presidência foi a da viagem a Milão, em 2005, quando o clube jogou num San Siro despido de adeptos. “Jogar sem adeptos é como cozinhar sem sal”, rematou o presidente do clube.

O momento alto da tarde foi a chegada do autocarro. O cordão montado pela PSP deixou os adeptos a largas centenas de metros da garagem do estádio, com a claque portista a ser obrigada a juntar-se numa das rotundas que antecede a avenida em que recinto desportivo se encontra localizado.

Bandeiras abanando ao sabor do vento iam esperando com antecipação a chegada dos jogadores. Foi nesse momento que muitos adeptos aproveitaram para colocar a conversa em dia com outros “dragões”, depois de três meses de afastamento do futebol.

“Estive confinado em casa dois meses. Desde que cheguei aqui, já vi aí dezenas de pessoas com quem costumo estar durante os jogos. Eu saí às 19h do trabalho e vim a ‘assapar’ estrada fora para chegar cá a tempo”, contava com orgulho Vítor Silva, a ajustar a máscara com o símbolo dos Super Dragões.

A distância a que estavam obrigados a ficar do estádio, contudo, causou algum desagrado. Fernando Madureira adiantou ao PÚBLICO que a claque não estaria informada de que o perímetro seria tão amplo, informação desmentida pela polícia. “Foi comunicado que o perímetro ia ser mais alargado, foi dada a referência de 100 metros de distância”, explicou o subintendente Rui Pereira.

A situação foi contornada a 30 minutos do início da partida, com uma grande movimentação de adeptos para uma rua lateral. Apesar de também estar cortada e bloqueada, ficava a meros 50 metros da bancada nascente. Os adeptos poderiam assim, como era objectivo inicial, fazer-se ouvir no interior do estádio e durante os primeiros 45 minutos largaram o apoio que mantiveram engarrafado durante três longos meses de confinamento.

Ao momento do intervalo, só faltava mesmo um golo para compensar a dedicação demonstrada pelos adeptos no exterior do estádio — pelo menos durante os primeiros 45 minutos, já que a grande maioria acabou por abandonar o local antes de começar a segunda parte. 

Os golos, três, só chegaram na segunda metade, mas foram os adeptos do Famalicão que fizeram a festa. Da parte dos adeptos do FC Porto houve mais críticas que elogios à exibição da equipa no regresso da I Liga.