E Depois de Amanhã?: programar espectáculos na época das salas semi-vazias

O segundo capítulo do ciclo de conversas sobre o desconfinamento organizadas pela produtora S.P.O.T. e pelo Canal180 juntou, no Coliseu do Porto, o director da Ritmos, João Carvalho, responsável pelo festival Vodafone Paredes de Coura, e António Guimarães, proprietário do Passos Manuel.

Chegados ao mês de Junho, os recintos de espectáculos podem, finalmente, reabrir as portas e retomar a actividade. Mas para que público? Pós-confinamento, perante a lei das máscaras e dos lugares de separação, quem está disposto a viver o tão sonhado reencontro físico com as artes? De que forma os programadores dos mais diversos equipamentos culturais responderão às exigências e aos constrangimentos desta estranha nova realidade, que “apareceu sem manual de instruções”? Foram estas algumas das questões discutidas no segundo episódio da série E Depois de Amanhã?, uma parceria entre o Canal180 e a produtora de conteúdos S.P.O.T. que, em almoços para três pessoas com distâncias de segurança, pretende reflectir sobre os novos desafios dos “profissionais da cultura, da restauração, do turismo e do desporto” neste contexto pandémico.

Desta vez, a conversa aconteceu no Coliseu do Porto. Mónica Guerreiro, a presidente da instituição, foi a anfitriã; João Carvalho e António Guimarães, ou “Becas”, como é conhecido, os convidados. O primeiro, director da Ritmos, produtora que organiza o Vodafone Paredes de Coura, já não se lembra de um Verão na sua vida sem o festival; Becas, proprietário do Passos Manuel, reabriu a casa a 1 de Junho, mas confessa que os eventos “numa modalidade diferente do habitual” que planeia organizar vão servir mais para “manter viva” a “chama” do espaço do que outra coisa – até porque “40 e tal pessoas não permitem pagar cachets normais”.

Ao som da saudosa Grounded, dos Pavement – que, não tivesse o novo coronavírus colocado o mundo em suspenso, estariam em Portugal para o Nos Primavera Sound, em Junho –, João Carvalho anunciou a intenção de, em 2021, dar mais um dia ao festival de Paredes de Coura, dedicado exclusivamente a bandas portuguesas, de meia-noite a meia-noite, para ajudar artistas e técnicos num sector fragilizado. Becas, por sua vez, divulgou “quase em primeira mão” que, em conjunto com a Lovers & Lollypops, está a organizar um festival de Verão online, no qual “os concertos serão montados como se fossem apresentações ao vivo”, em salas pequenas do Porto – do Passos Manuel aos Maus Hábitos ou ao bar Barracuda, por exemplo –, com profissionais devidamente remunerados. Soluções de reinvenção e reestruturação num momento em que estas são fundamentais.

Texto de Daniel Dias.

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