Liga húngara anima discussão sobre regresso dos adeptos aos estádios

Clubes italianos vão debater o tema no dia 8. Espanha estuda ocupação gradual dos recintos a partir de Setembro.

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O jogo entre o Honved e o Debreceb, em Budapeste DR

Até que ponto é que a Liga da Hungria, um campeonato claramente periférico na órbita do futebol europeu, poderá servir de referência para os Big 5 em tempos de pandemia? As bases da discussão estão lançadas, depois de a competição ter arrancado, em Budapeste, com medidas restritivas e uma ocupação residual das bancadas. Em Itália, os clubes já pressionam no sentido de se adoptar uma estratégia semelhante, enquanto em Espanha e Inglaterra se planeia um arranque da próxima época com público.

Medição da temperatura à entrada do recinto, três cadeiras de intervalo entre cada espectador e um metro e meio de distância em todas as ocasiões são requisitos obrigatórios para assistir aos jogos in loco. Adicionalmente, é sugerido aos clubes que exortem os adeptos a usarem máscara e a comprarem os bilhetes online, para facilitarem o registo. Alguns acatam as sugestões, outros nem tanto.

No embate entre o Honved e o Debrecen marcaram presença 700 adeptos, um número francamente abaixo de um terço da lotação (como se sugere em alguns quadrantes do futebol) num estádio com capacidade para 5300 espectadores. E se muitos cumpriram as recomendações do início ao fim, nas zonas dedicadas aos seguidores mais radicais houve momentos de total relaxamento, incluindo no final da partida, aquando da saudação da equipa.

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“Esperámos por este momento durante muito tempo. Estamos muito contentes. Esperemos que seja um sucesso e que os adeptos possam continuar a ir aos jogos”, reagiu Hediof Budapest, um apoiante do Honved, citado pela Deutsche Welle.  “Não se consegue substituir este sentimento de estar no estádio por nenhum outro”, acrescentou Zoltan.

Lecce sugere sistema rotativo

Em Itália, com o regresso da Série A à vista, há uma vontade de injectar uma dose tão generosa quanto possível de normalidade no futebol. Para já, o protocolo sanitário é semelhante ao português, permitindo somente a entrada dos agentes desportivos necessários à realização da partida, mas a esperança é que o Governo, ao permitir a reabertura de espaços culturais, aceda também à presença de espectadores nos estádios.

O tema, de resto, foi abordado na assembleia da Liga italiana, na sexta-feira, por Andrea Agnelli, presidente da Juventus e da Associação Europeia de Clubes. E entretanto já houve outras vozes a clamarem publicamente por uma solução de regresso mitigado dos adeptos ao futebol. “Os fãs são a parte mais importante de um clube de futebol. É uma questão que temos de abordar rapidamente, a da reabertura parcial dos estádios, respeitando as regras do distanciamento”, defende Giovanni Carnevali, director desportivo do Sassuolo.

Com uma nova reunião magna da Liga apontada para 8 de Junho, é muito provável que o assunto volte à baila. Até porque o presidente do Lecce não pretende deixar cair o tema: “Estamos a reflectir, porque o caminho é darmos o passo seguinte depois da retoma. Creio que seria bom criar um sistema rotativo entre os nossos 20.000 detentores de bilhete de época, até porque seria positivo oferecer aos adeptos um pouco de entretenimento, adoptando sempre as precauções necessárias”, sugere Saverio Sticchi Damiani.

Sem se comprometer em demasia, o presidente da federação italiana também expressou um desejo alinhado com os demais interlocutores. "Adeptos no estádio? É prematuro falar sobre isso. Mas, espero que isso aconteça até final do campeonato, espero de todo o coração”, referiu Gabriele Gravina, à Radio 24. “Acompanho a evolução da situação em cinemas, teatros e eventos culturais. Parece impensável que num estádio de 60.000 ou 80.000 lugares, não haja espaço para uma percentagem mínima de espectadores, com todas as precauções necessárias”, sustentou.

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Espanha e Inglaterra apontam para 2020-21  

O debate sobre o tema ainda não saltou abertamente para a praça pública em Inglaterra e Espanha, mas há já algumas luzes sobre o futuro próximo. Richard Masters, director executivo da Premier League, confirmou à imprensa britânica que estão a ser avaliadas propostas para um eventual regresso do público a partir de Setembro.

“Há algum optimismo quanto à possibilidade de termos os espectadores de volta aos estádios na próxima época e isso poderá acontecer de forma faseada”, explicou, reforçando a necessidade de seguir escrupulosamente as orientações das autoridades de saúde.

Esta abertura gradual das bancadas está também, de acordo com o jornal El País, nos planos da Liga espanhola para 2020-21. A intenção passará por permitir a ocupação de 30% dos recintos em Setembro, aumentando para 50% em Novembro, de modo a que, no início do próximo ano, possa preencher-se a lotação total dos estádios. Isto, claro, no pressuposto de que a curva dos contágios permanecerá achatada em Espanha.

Mais imediata poderá ser a reabertura de portas nas Ligas polaca, russa ou sérvia, enquanto em Portugal essa possibilidade está, por enquanto, posta de parte. A recente resolução do Conselho de Ministros n.º 40-A/2020, que prorroga a declaração da situação de calamidade, é clara no número 2 do artigo 19.º: “As competições de modalidades desportivas individuais e sem contacto físico, bem como a 1.ª Liga de Futebol Profissional, apenas podem ser realizadas ao ar livre, sem público, e desde que respeitem as orientações especificamente definidas pela DGS [Direcção-Geral da Saúde]”.

Questionada sobre o tema, Graça Freitas, directora da DGS, alertou para a importância de continuar a monitorizar as situações e a adoptar medidas específicas para cada caso. “Sobre o regresso dos adeptos aos estádios não consigo dizer já, vai depender da avaliação rigorosa e da avaliação do risco e de medir os prós e os contras”, referiu, na conferência de imprensa diária de actualização dos dados da covid-19.

Ainda assim, o Sp. Braga já expressou a esperança de contar ainda esta época com o apoio dos adeptos.  "Estou convicto, e por isso defino esta meta em nome de todo o grupo de trabalho, de que voltaremos a ter o nosso público no estádio ainda no que resta desta temporada. A par dos objectivos desportivos, que vamos perseguir com todas as nossas forças, é essa a grande ambição que me move e que muito lutarei para concretizar”, defendeu o presidente do clube, António Salvador, numa mensagem dirigida aos sócios e adeptos.

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