Trabalhadores precários da Casa da Música organizam vigília em dia de reabertura

Educadores de Serralves associam-se à acção desta segunda-feira em protesto contra o modo como as duas fundações estão a gerir a situação dos precários no contexto da pandemia.

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Paulo Pimenta

Um conjunto de trabalhadores “precários” da Casa da Música vai organizar nesta segunda-feira uma vigília silenciosa para protestar contra o “silêncio e a falta de resposta” da fundação que gere este equipamento cultural do Porto.

Fizemos um abaixo-assinado em Abril e nunca houve uma resposta por parte da direcção. Submeteram-se ao silêncio e este silêncio desrespeitoso foi bastante sintomático daquilo que representamos para eles. Esta vigília silenciosa nasce precisamente desse silêncio”, afirmou hoje Hugo Veludo, assistente de sala da Casa da Música há mais de dois anos e meio.

Em declarações à Lusa, Hugo Veludo afirmou que, apesar de a Casa da Música reabrir nesta segunda-feira (com um concerto da Orquestra Barroca na Sala Suggia), continuam por “cumprir os pagamentos aos trabalhadores precários” e que da administração do equipamento cultural apenas receberam um email a indicar que em Junho “voltariam a precisar dos serviços”.

“Enviaram-nos um email como se nada se tivesse passado. Vamos voltar a trabalhar, em moldes diferentes. Vai haver duas equipas diferentes de assistentes de sala que vão trabalhar alternadamente, isto é, semana sim, semana não. Só isso já vai reduzir a nossa possibilidade de rendimento a 50%”, referiu. Hugo Veludo disse também que, uma vez que o número de eventos vai ser “muito inferior”, o rendimento dos 44 assistentes de sala a recibos verdes “vai cair cerca de 75%”.

Na vigília silenciosa agendada para hoje, às 19h, vão estar, entre assistentes de sala, técnicos e guias, trabalhadores da Casa da Música, mas também alguns educadores da Fundação de Serralves.

“Depois do comentário infeliz da ministra da Cultura a dizer que eles são muito poucos, lançámos o repto de estarem connosco e mostrarmos que juntos não somos assim tão poucos”, frisou.

À Lusa, Inês Soares, educadora na Fundação de Serralves, afirmou que, apesar de não representarem a “mesma casa”, representam a “mesma causa”: o combate à precariedade. “Aderimos à iniciativa para mostrarmos que estamos juntos nesta luta. Muitos de nós ainda nos encontramos com as vidas em suspenso sem qualquer perspectiva de quando voltar ao trabalho e se haverá também algum trabalho”, disse Inês Soares, que há cinco anos começou por exercer funções como assistente de sala e há dois anos integra a equipa do serviço educativo.

Segundo Inês Soares, oito educadores da Fundação de Serralves já confirmaram que vão participar nesta vigília silenciosa, alguns dos quais a trabalhar na instituição “há dez e 20 anos”.

Contactada pela Lusa, a Fundação Casa da Música não quis comentar a situação.

No dia 28 de Abril, através de um abaixo-assinado, dezenas de trabalhadores da Casa da Música pediram à fundação que gere este equipamento cultural do Porto que “cumpra compromissos” e “assuma” a sua “responsabilidade social”, considerando que as “soluções” propostas são “indignas”. No total, foram 92 os signatários da carta enviada ao director-geral da Fundação Casa da Música, entre os quais 28 trabalhadores com contrato e 64 prestadores de serviços a recibo verde, nomeadamente assistentes de sala, guias, músicos, técnicos e formadores.

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