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CDS cinco, Chega um. Francisco Rodrigues dos Santos lembra que CDS vale mais do que Chega

Francisco Rodrigues dos Santos esteve numa barbearia para assinalar o desconfinamento do pequeno comércio. E voltou a defender entendimentos à direita, lembrando que o CDS vale mais do que o Chega.

O primeiro corte pós quarentena
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Líder do CDS foi ao barbeiro em Gaia LUSA/FERNANDO VELUDO
Líder do CDS foi ao barbeiro em Gaia
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O primeiro corte pós quarentena LUSA/FERNANDO VELUDO

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, considerou nesta sexta-feira já ser a altura de o Governo apresentar projecções macroeconómicas e explicar onde vai “investir para vencer a crise”. Sobre entendimentos à direita lembrou que “o CDS tem cinco deputados [na Assembleia da República] e o Chega tem um”.

“Já é altura de o Governo apresentar projecções macroeconómicas e de finanças públicas. Nós queremos perceber onde é que o Governo vai investir dinheiro para relançar a economia e para iniciar um programa de emergência social. Neste momento, já temos mais algumas luzes de que dinheiro pode chegar de Bruxelas, agora precisamos de saber onde é que o Governo vai investir para vencermos esta crise”, afirmou, em declarações aos jornalistas.

Enquanto “partido do contribuinte”, o CDS tem uma “fórmula muito clara”, começou por explicar o líder centrista, que voltou a defender uma redução de impostos para quem cria emprego em Portugal e gera actividade económica.

Francisco Rodrigues dos Santos, que escolheu uma barbearia em Vila Nova de Gaia para cortar o cabelo e assinalar assim o desconfinamento do pequeno comércio, lembrou que 96% do tecido empresarial português é composto por micro e pequenas empresas que precisam da ajuda do estado para manter os postos de trabalho e cumprir com as suas obrigações fiscais.

O presidente do CDS voltou a insistir que é “preferível” o Governo injectar liquidez na economia através de “choque de tesouraria” para evitar gastar, no futuro, “muito dinheiro” em contribuições sociais.

Os barbeiros em Portugal empregam muita gente, precisam de incentivo por parte do estado para poder salvar estes postos de trabalho e manter os seus estabelecimentos abertos ao público e para isso precisam também de receber sinais por parte do governo de que apoia a sua actividade e o seu negócio, e é por isso que o CDS defende que haja um alargamento do layoff simplificado até ao final do ano”, declarou.

O líder centrista explicou que o facto de as empresas estarem de portas abertas não significa que tenham os mesmos níveis de facturação de antes da crise pandémica. A barbearia em Vila Nova de Gaia, exemplificou, está com uma facturação na ordem dos 20%.

“O Estado previu gastar mil milhões de euros por mês, está a gastar apenas 300 milhões, portanto justifica-se que haja folga para fazer este alargamento”, disse, insistindo também na eliminação dos pagamentos por conta e na duplicação das linhas de crédito com uma percentagem a título de fundo perdido.

Além disso, o presidente do CDS-PP considerou ser necessário a existência de um mecanismo de acerto de contas.

“Se o Estado se atrasa a pagar o reembolso do IRS, já estamos a mais de 60 dias, quando o ano passado pagou em média em 12, quando verificamos que há atraso no pagamento do layoff, quando verificamos que as linhas de crédito também ainda não estão a chegar às empresas, e se o estado continua a dever dinheiro às empresas e aos contribuintes, justifica-se que as dividas do estado possam ser descontadas no pagamento de impostos que os contribuintes fazem a esse mesmo Estado”, sustentou.

Francisco Rodrigues dos Santos defendeu ainda uma isenção fiscal para os rendimentos dos estudantes durante o período de férias escolares.

“O CDS entende que os jovens estudantes não devem ser prejudicados por trabalhar durante as férias [escolares] e por isso mesmo defendemos que é uma maneira de ter o seu pé-de-meia, de pagar os seus estudos no próximo ano lectivo e para ajudar as suas famílias a fazer face às suas despesas, portanto entendemos que os rendimentos deste trabalho não devem ser aglomerados nos rendimentos familiares, para que o dinheiro seja dos estudantes e não seja do estado e haja assim uma isenção fiscal destas verbas”, afirmou.

Acordos com o Chega

Francisco Rodrigues dos Santos lembrou ainda que o CDS-PP tem cinco deputados no Parlamento e o Chega, de André Ventura, apenas um, reiterando que as oportunidades de entendimento entre partidos devem ser iguais à esquerda e à direita.

O que o CDS disse nessa entrevista [à TSF] e eu próprio, que fui o entrevistado, é que achamos que, à direita, os partidos devem ter as mesmas plataformas de entendimento que os partidos à esquerda do PS, foi tão só isto”, afirmou Francisco Rodrigues dos Santos, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita a uma barbearia em Vila Nova de Gaia.

E acrescentou logo de seguida: “e, salvo erro, o CDS tem cinco deputados [na Assembleia da República] e o Chega tem um, ou não?”.

Em declarações ao Jornal Económico, na quinta-feira, o presidente e deputado do Chega referiu que “todas as sondagens demonstram que a força eleitoral maioritária à direita está, neste momento, no Chega e não no CDS”, considerando, por esse motivo, que as palavras do líder centrista, que admitiu coligações à direita desde que assentes em programas sem “discurso de ódio” e “populismo agressivo”, “só podem ser entendidas como um momento de humor”

Ao Económico, André Ventura deixou claro que “se as linhas vermelhas do CDS-PP” forem "a prisão perpétua e a resolução do problema das comunidades ciganas, então não há mesmo margem para qualquer acordo”, apontando “zero por cento de chances nessas condições” e desejando ao ex-presidente da Juventude Popular “boa sorte a conseguir uma maioria com o PSD”.

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