Centros comerciais fechados e menores ajuntamentos — medidas de excepção para a região de Lisboa

Governo mantém ajuntamentos limitados a 10 pessoas. Centros comerciais e lojas do cidadão permanecem fechados até ao 4 de Junho.

Lisboa
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São três medidas de carácter excepcional que fazem com que a Área Metropolitana de Lisboa (AML) não acompanhe totalmente o resto do país no plano de desconfinamento, fruto do aumento de novos casos na região de Lisboa e do Vale do Tejo durante as últimas semanas. A partir desta segunda-feira, na Grande Lisboa, só serão permitidos ajuntamentos de 10 pessoas e não 20, como no resto do país. Os centros comerciais e lojas do cidadão manter-se-ão encerrados e a abertura das feiras e lojas com mais de 400 metros quadrados será reavaliada pela Câmara, de acordo com o novo plano de desconfinamento apresentado pelo Governo.

Os centros comerciais e as lojas de cidadão existentes na AML permanecem encerradas até ao dia 4 de Junho. O primeiro-ministro, António Costa, explicou que a opção de adiar a decisão para o Conselho de Ministros de quinta-feira, e não por 15 dias, tem como objectivo “não manter [os comerciantes] num período de incerteza excessivo”.

Ora, os ajuntamentos mantêm-se limitados a um máximo de 10 pessoas, e não 20, como no resto do país. Quanto às feiras e às lojas com mais de 400 m2 da AML será feita uma reavaliação por parte da Câmara de Lisboa para tomar uma decisão.

O Governo informou ainda que haverá um “reforço da vigilância epidemiológica” nas obras de construção civil e nos trabalhos de regime temporário. Nos veículos privados de transporte de passageiros será obrigatório o uso de máscara e a lotação fica limitada a 2/3. Sobre esta medida, António Costa clarificou que “esta norma aplica-se apenas ao transporte privado de passageiros e muito em particular a carrinhas de transporte de trabalhadores para a construção civil”.

Além disso, no novo plano de desconfinamento ficaram previstos também “planos de realojamento de emergência”. “Não devemos situar o problema neste ou naquele bairro, nesta ou naquela zona. Não é essa a natureza do problema. A natureza do problema está identificada e está relacionada com o tipo de trabalho laboral e que é agravado por condições de habitabilidade em que um elevado número de pessoas partilha residência”, vincou o primeiro-ministro, justificando o plano de emergência de realojamento.

Recorde-se que o presidente da câmara de Lisboa afirmou, nesta sexta-feira de manhã, que é “natural” que os centros comerciais da capital não reabram para já, uma vez que são áreas de “fruição e de grande concentração de pessoas”. “Eu admito que haja medidas de evitar aglomeração de muitas pessoas. Os centros comerciais são claramente um desses locais", afirmou Fernando Medina aos microfones da rádio Renascença

Fernando Medina descartou, no entanto, a possibilidade de se isolarem os concelhos ou freguesias mais afectados pela doença na capital: “Não creio que se vá para medidas do tipo ‘cercas sanitárias’. Não é isso que está em causa”, afirma salvaguardando que os surtos na grande Lisboa estão associados a “unidades industriais e determinadas zonas residenciais relativamente delimitadas” e que não há informação de “alastramento generalizado”. 

Texto editado por Ana Fernandes

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