Reportagem

Uma casa a flutuar na ria de Aveiro

Podia ser só uma casa flutuante, mas não é. A experiência que ela tem para oferecer não se resume ao alojamento dentro de quatro paredes. Desde o pôr do Sol à presença constante dos pernilongos, são várias as vivências que levam o hóspede a sentir-se na fila da frente de um filme dedicado à ria de Aveiro.

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Há imagens que merecem ser vistas em câmara lenta. Em especial aquelas que são proporcionadas pela natureza em estado puro. O pôr do Sol em plena ria de Aveiro, a dança das aves que por ali habitam, o vento que agita a água das marinhas de sal. Estamos na fila da frente para assistir a um filme dedicado à laguna aveirense e ao seu habitat. E em jeito de antestreia, uma vez que a casa-barco que nos permite usufruir de todas estas imagens só abrirá ao público a partir desta sexta-feira, 29. Estamos numa das duas boathouses que a Ostraveiro acaba de instalar na Marinha Passagem e que já estão preparadas para começar a receber os seus primeiros hóspedes.

Com uma área de 40 metros quadrados, cada casa dispõe de um quarto, casa de banho, sala com sofá-cama, kitchenette (totalmente equipada com fogão, microondas, louça, etc.), e um hall exterior com mesa e cadeiras. Tudo devidamente decorado com motivos náuticos – nem podia ser de outra forma, certo? – e imagens fotográficas da envolvente das casas-barco.

No topo, os hóspedes têm à sua espera um terraço equipado com espreguiçadeiras, especialmente recomendados para os dias e noites mais amenas. Se o vento estiver mais fresco  – coisa normal por estas bandas da costa portuguesa , tem sempre a possibilidade de se refugiar no interior da casa sem perder pitada do “filme”. Tanto o quarto como a sala e kitchenette oferecem vistas de 180 graus. Basta abrir as cortinas e apreciar a paisagem.

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Nelson Garrido

Um mergulho na água e a prancha de SUP

Estamos a bordo – se é que se pode dizer assim, uma vez que não sentimos qualquer movimentação no interior  da embarcação Corajoso. Depois das boas-vindas, com espumante da Bairrada e raivas (biscoitos típicos de Aveiro), o desafio passa por aproveitarmos tudo aquilo que o alojamento tem para oferecer. Começando, desde logo, pela ida a banhos na própria marinha (a plataforma do cais dispõe de uma escada para acesso à água), onde a profundidade oscila entre um a três metros de profundidade.

Cada casa dispõe, também, de uma prancha de stand up paddle (SUP), pagaia e colete salva-vidas. Ainda que aquele tanque de água esteja protegido de correntes, os praticantes – especialmente os iniciantes  são aconselhados a lançar-se na aventura com as devidas cautelas.

A par com os banhos e os exercícios (ou tentativas) de equilibrismo em cima da prancha, os hóspedes são convidados a visitar as unidades de produção de ostras e de salicórnia da Marinha Passagem. O melhor é que o faça acompanhado de algum membro da equipa da Ostraveiro, para não correr o risco de fazer asneiras. “Cuidado! Estão aqui dois ovos de andorinha-do-mar”, alerta-nos Sandra Sousa, enquanto caminhamos em direcção ao tanque dedicado à produção de salicórnia. Ainda que os ninhos estejam devidamente assinalados, a proprietária da Ostraveiro aconselha sempre os visitantes a “prestarem o máximo de atenção ao chão”.

No dia em que a Fugas por lá passou, tinha acabado de nascer um pernilongo e Sandra Sousa não conseguia esconder a alegria ao ver a cria de volta da progenitora, já de patas na água. “Costumo dizer que estes são os meus netos”, contava, em tom de brincadeira mas sempre atenta à movimentação das aves que têm escolhido aquela marinha como casa. E é em respeito por elas, e também por todas as outras espécies animais e vegetais da laguna aveirense, que a aposta passou por casas-barco 100% ecológicas e sustentáveis – são alimentadas a energia solar e vêm equipadas com estação de tratamento de águas residuais.

Idênticas exigências estão a ser seguidas com a higiene e limpeza dos espaços – fruto das circunstâncias do momento. Ao selo Clean&Safe  criado pelo Turismo de Portugal para assegurar que os estabelecimentos respeitam as disposições de combate à covid-19 , a Ostraveiro juntou um certificado de desinfecção para garantir o máximo de segurança aos seus hóspedes.

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Nelson Garrido

Um brinde ou uma refeição na esplanada

Estando enquadrados numa paisagem tão especial quanto esta, estes alojamentos são um daqueles lugares onde vale a pena ir para ficar. Ainda que tenha sempre alguém disponível para o conduzir de barco (um minuto de travessia) até ao cais a partir do qual pode aceder, a pé, ao centro da cidade de Aveiro, pode e deve considerar a sugestão para fazer as suas refeições no barco ou na esplanada que está situada em frente às embarcações.

Se não lhe apetecer, de todo, cozinhar, pode encomendar um dos pratos servidos no restaurante da Ostraveiro  aberto só ao almoço, mas com pratos, como a feijoada de navalhas, que podem ser aquecidos. O importante é que aproveite ao máximo o que lhe é oferecido a partir deste alojamento flutuante, ou seja, tranquilidade. Sem horários rígidos para o que quer que seja, inclusive para o pequeno-almoço, cujos ingredientes (pão, croissants, manteiga, fiambre, leite, sumo, iogurte e queijos) são deixados de véspera no alojamento e que vêm complementar a oferta de água, chá e café.

Para as estadias mais prolongadas, há outras propostas de actividades a considerar, dentro ou fora dos oito hectares de área da Marinha Passagem – importa não esquecer que, além da produção de ostras e salicórnia, o espaço conta com um restaurante e uma zona de lazer, com camas de rede, áreas de esplanada, um parque infantil e um bar de madeira plantado em cima da água. Entre as experiências mais procuradas estão os passeios de barco ao longo da ria e as degustações gastronómicas (actividades propostas pela própria Ostraveiro, não incluídas na estadia), mas a verdade é que não falta o que fazer e ver na cidade da ria.

A Fugas esteve alojada a convite da Ostraveiro

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