Ginásios tiveram quebra de facturação de mais de 75%

Os resultados do inquérito da Associação de Ginásios e Academias de Portugal mostram que 62% dos espaços sofreram uma forte quebra na facturação.

O questionário demonstra que 85% dos espaços optaram por recorrer ao <i>layoff</i> para diminuir os encargos mensais
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O questionário demonstra que 85% dos espaços optaram por recorrer ao layoff para diminuir os encargos mensais Miguel Manso

Mais de metade dos ginásios em Portugal tiveram uma quebra na facturação de mais de 75% desde o começo da pandemia de covid-19, revela um questionário da Associação de Ginásios e Academias de Portugal (AGAP).

Dos 1200 associados da AGAP, 440 responderam ao inquérito e os resultados mostram que 62% dos espaços sofreram uma forte quebra na facturação e que 85% optaram por recorrer ao layoff para diminuir os encargos mensais.

“A maior parte dos clubes não estão a cobrar a mensalidade na totalidade e, hoje em dia, a facturação vem também de serviços como PT (Personal Trainers) ou nutrição, que também não estão a acontecer. Não vendermos esses serviços explica a redução significativa que este estudo mostra”, disse à Lusa José Carlos Reis, presidente da AGAP.

Face a 2019, quase todos os clubes que responderam ao inquérito confirmam que a facturação é menor do que em Abril de 2019, mas os números também mostram que nem por isso recorreram ao financiamento disponibilizado pelas linhas da pandemia covid-19. O presidente da AGAP explica que o sector é predominantemente composto por micro e pequenas empresas e que muitas não conseguiram sequer aceder a estes apoios.

“A maior parte dos clubes são pequenos e o acesso ao financiamento é muito difícil. Bastava uma pequena divida à Segurança Social para não se poder concorrer e a banca não empresta a todas as entidades, além de que muitas empresas concorreram e não lhes foi atribuído financiamento”, revela o presidente da AGAP.

Apesar das dificuldades, os números da AGAP relatam que apenas uma minoria dos ginásios que respondeu ao inquérito dispensou os seus colaboradores e quase todos os 440 que responderam (84%) estão prontos para abrir portas em 1 de Junho, algo que José Carlos Reis considera “essencial”.

“Temos salientado nas conversas com o Governo que todos os dias estamos a perder clientes. Quanto mais tempo passar mais difícil vai ser os clubes reerguerem-se. Estamos há mais de dois meses encerrados e a situação é dramática: há muitos cancelamentos e há ginásios à venda em todo o país. Se este encerramento perdurar no tempo, vai haver mais fecho de estabelecimentos no nosso sector”, assegura.

Quanto às novas soluções que a situação de pandemia fez emergir no sector, o presidente da AGAP elogia a capacidade de adaptação dos seus profissionais e diz que o modelo de negócio online veio para ficar, mas “nunca substituirá” o treino presencial.

“Vai ser mais um serviço dentro da mensalidade normal, mais um serviço que os clubes vão ter de oferecer e que agora foi uma forma de manter a ligação com os clientes. Acredito que no futuro vamos ter este serviço apenas para quando o cliente não pode vir ao clube”, avalia.

Ainda na expectativa do que o Governo decidirá na reunião do Conselho de Ministros desta sexta-feira, o presidente da AGAP salienta que os empresários do sector que responderam às questões apresentadas pela AGAP continuam motivados e que 81% pensa em recuperar os níveis de facturação no primeiro trimestre de 2021, havendo mesmo 15% que afirmam que poderão fazê-lo ainda em 2020.

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