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Francisca Moreira

A vida fez pop e dos Birds Are Indie nasceram canções

O trio conimbricense celebra dez anos com Migrations. Nele, a banda que já o era antes de o saber, mostra-se exímia em extrair canções desse lugar de fantasia que é a vida que temos perante nós.

De certa forma, a banda começou antes de começar. Havia em Coimbra um casal, Ricardo Jerónimo e Joana Corker, que encontrou forma de lidar com a depressão trazida pela crise social e financeira, com as dificuldades instaladas, com os amigos a partir para outras paragens em busca de trabalho (estamos em 2010). Ele convenceu-a a cantar, ela cantou com ele e nasceu uma canção chamada We’re not coming down. Depois vieram mais canções e houve EPs editados na netlabel Mimi Records. Mas banda, banda, não era certo que existisse — concertos, até essa altura, nem vê-los. “Tinha sido uma brincadeira que nos tinha fugido das mãos”, recorda Ricardo Jerónimo dez anos depois. “Era só para mostrar aos amigos e, de repente, alguns dos amigos começaram a fazer coisas: a editar a música na netlabel deles, a fazer a primeira capa para o primeiro EP, a levar o boca-a-boca a pessoas que organizavam concertos ou que faziam críticas nos blogues”.