Plateia e Cena-STE “muito preocupados” com regras para a reabertura das salas de espectáculos

As regras anunciadas na terça-feira pelo Ministério da Cultura terão “um impacto financeiro muito significativo” nas estruturas, dizem as estruturas representativas do sector, que pedem um apoio financeiro especial para a reconversão.

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A associação Plateia reclama uma linha de financiamento especial para permitir o cumprimento das regras de abertura de teatros e da retoma das actividades, sem a qual a situação financeira das estruturas artísticas será incomportável.

A posição da Plateia surge depois de a ministra da Cultura, Graça Fonseca, ter divulgado as regras de acesso às salas de espectáculos, que podem abrir já na segunda-feira, dia 1 de Junho, com a obrigação de uso de máscara por parte do público e a obrigatoriedade de um lugar de intervalo entre espectadores caso não coabitem.

As medidas anunciadas por Graça Fonseca na terça-feira merecem cinco reparos por parte da associação de artes cénicas. Para a Plateia, estão por esclarecer quais as normas de segurança e saúde no trabalho a serem cumpridas por uma grande parte dos intérpretes em palco, sobretudo actores e bailarinos, uma vez que “o Ministério da Cultura [MC] pronuncia-se apenas sobre espectáculos musicais”.

A associação refere que ficam por responder questões sobre as actividades artísticas, como as relacionadas com trabalhadores pertencentes a grupos de risco, a interacção entre intérpretes e público e as actividades participativas com comunidades especificas e não profissionais da área.

A Plateia lembra que enviou ao MC, há uma semana, a sua análise sobre este assunto, sem que tenha obtido retorno, acrescentando ter tomado conhecimento das medidas pela comunicação social. A associação sublinha que o pedido de audiência que fizeram à Direcção-Geral da Saúde e à Inspecção-Geral das Actividades Culturais continua a ser ignorado e acusam as entidades de não estarem a estabelecer “um diálogo sério”.

Para a Plateia, a reabertura das salas e a possibilidade de realizar espectáculos não significa “a retoma do sector”, uma vez que “as medidas apresentadas terão um impacto financeiro muito significativo nos espaços e promotores independentes”, acarretando grande despesas na aquisição de material de protecção e na contratação de pessoal levando a uma redução das receitas”. “Em muitos casos, as regras de limitação de audiências tornam financeiramente e, por vezes, fisicamente inviável qualquer apresentação, sendo ainda previsível a dificuldade de captação de público em contexto de pandemia”, sustentam.

Também o Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE) recebeu “com muita preocupação” as regras para a reabertura das salas e para os espectáculos ao ar livre divulgadas na terça-feira pelo Ministério da Cultura.

Em declarações à Lusa, o dirigente sindical Rui Galveias considerou que, “embora o aumento da lotação possa ser um bom sinal, o problema é tudo o resto”.

“A forma como os artistas e os trabalhadores não são considerados naquela regra [do uso da máscara de protecção, que não está prevista quando estão em cena] preocupa-nos imenso, porque esta ideia mágica de que se entra no palco e a covid-19 desaparece não nos parece muito lógica”, referiu Rui Galveias.

Além disso, alertou, “há a questão do acesso aos testes e do acesso a fundos para fazer aquelas alterações todas e [pagar] aqueles materiais todos, que têm custos enormes que não estão previstos nem nas verbas dos elegíveis que tiveram apoios, nem nas verbas de outras estruturas que estão longe destes apoios”.

Os artistas, equipas técnicas e restantes trabalhadores das salas de espectáculos, teatro e cinema devem “medir a temperatura à chegada ao edifício, sem registo dos resultados”, e as salas de ensaios e camarins devem ter gel desinfectante e toalhetes, assim como toalhas individuais.

Deve haver também “desinfecção de equipamentos técnicos, ferramentas e adereços antes da sua utilização”, e deve garantir-se que “os instrumentos, objectos e acessórios utilizados durante ensaios ou concertos não são partilhados”. Além disso, “sempre que possível”, deve ser feito “o arejamento natural das salas e camarins, quando aplicável”.

O dirigente do Cena-STE questiona “como é que se vai fazer isto”. Rui Galveias considera que “algumas estruturas vão ter de adiar aberturas” e “decidir se de facto conseguem implementar as actividades ou não”.

O Cena-STE defende a necessidade de “garantir que o acesso aos testes seja gratuito, como noutras actividades económicas, e que as outras medidas são apoiadas também”.

A reabertura de salas de espectáculos, teatros e cinemas, bem como a retoma de eventos culturais ao ar livre está prevista na terceira fase do “Plano de Desconfinamento” do Governo.

Teatros, salas de espectáculos e cinemas podem reabrir, a partir de segunda-feira, com todas as filas ocupadas e um lugar de intervalo entre os espectadores, que serão obrigados a usar máscara, revelou, na terça-feira, a ministra da Cultura. Os espectáculos ao ar livre terão de ter lugares assinalados.

Ao fim de mais de dois meses, os teatros e as salas de espectáculo e de cinema poderão reabrir com “lugares marcados, todas as filas ocupadas” e “um lugar de intervalo entre os espectadores, excepto se forem coabitantes”, disse Graça Fonseca, em declarações à Lusa. O uso de máscara “será obrigatório” para o público e terá de haver “higienização dos espaços entre espectáculos ou sessões”.

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