TAP: Marcelo “acompanha preocupação” com novas rotas e PS lança ultimato

Pressão sobre administração de Miguel Frasquilho sobe de tom. Gestor chamado de urgência ao Parlamento.

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Nuno Ferreira Santos

O Presidente da República afirmou esta terça-feira à agência Lusa que “acompanha a preocupação manifestada por vários partidos políticos e autarcas relativamente ao plano de retoma de rotas da TAP, em particular no que respeita ao Porto”.

Marcelo Rebelo de Sousa transmitiu esta posição em resposta à agência Lusa, questionado sobre o plano de rotas áreas para os próximos dois meses tornado público pela TAP na segunda-feira, composto maioritariamente por voos de ligação a Lisboa, que tem recebido críticas.

Também o secretário-geral adjunto do PS desafiou esta terça-feira a TAP a corrigir o plano de rotas aéreas tornado público, considerando que a decisão da Comissão Executiva da transportadora aérea de reduzir voos e destinos “lesa o interesse nacional”.

Em conferência de imprensa, na sede nacional do PS, José Luís Carneiro defendeu que “decidir reduzir o número de voos e de destinos, colocando em causa pontos de partida e pontos de chegada relevantes para a economia nacional” pode colocar em causa os objectivos estratégicos definidos para a companhia de bandeira do Estado português.

“Para o continuar a ser, a TAP tem de estar alinhada com o interesse estratégico do Estado português. Este anúncio da comissão executiva coloca em causa esse objectivo estratégico e o suporte da decisão política de o Estado ter uma parceria com esta companhia logo que o Governo assumiu funções, em 2015”, afirmou.

Questionado sobre o futuro da TAP, José Luís Carneiro remeteu essa análise para o Governo e preferiu instar a companhia a corrigir a decisão de “redução de voos e destinos”.

“O PS interpela a TAP a corrigir o plano de rotas aéreas tornado público, tendo em vista corresponder aos legítimos interesses nacionais e regionais em apreço”, desafiou.

Para o secretário-geral adjunto socialista, “se os portugueses estão a ser chamados a assumirem maiores responsabilidades financeiras” na TAP, só o poderão fazer “se a companhia assumir a sua condição de elemento estratégico o país, útil a todo o território nacional”.

“A TAP, se recorre aos apoios públicos, tem que estar alinhada com os interesses do Estado português”, sublinhou.

José Luís Carneiro salientou que, depois de “garantir o controlo do surto epidémico” de covid-19, todas as forças do país devem estar concentradas na recuperação da economia, apontando o turismo como “vital nessa estratégia” e a TAP como “um instrumento de primeira ordem”.

O dirigente socialista enunciou como objectivos estratégicos da empresa servir “a economia nacional, a unidade do país, o desenvolvimento regional e a coesão”, bem como “a diáspora portuguesa em todos os continentes” e “a inserção de Portugal nas rotas aéreas globais”.

O grupo parlamentar do PS entrega esta terça-feira, no parlamento, um pedido de audição urgente do presidente da TAP, Miguel Frasquilho, para esclarecer a “desproporção grande” entre as rotas com origem em Lisboa e as que partem do Porto.

A bancada parlamentar socialista vai “solicitar ainda hoje, com caráter de urgência”, a presença do presidente da transportadora aérea portuguesa na Comissão de Economia, Inovação e Obras Pública da Assembleia da República, para, “de alguma forma, explicar as decisões anunciadas pela comissão executiva da TAP”, disse à agência Lusa o deputado Carlos Pereira.

O novo plano de rotas da TAP foi criticado pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, e autarcas de municípios como Gondomar, Valongo e Vila Real e por dirigentes do PS, do PCP e do BE, entre outros.

Em conferência de imprensa, Rui Moreira acusou hoje a TAP de “impor um confinamento ao Porto e Norte”, acrescentando que com este plano de rotas a companhia aérea “abandona o país, porque estar só em Lisboa representa abandonar o país”.

Entretanto, também em conferência de imprensa, o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, desafiou a TAP a corrigir o plano de rotas aéreas tornado público, considerando que a decisão da comissão executiva da transportadora aérea de reduzir voos e destinos “lesa o interesse nacional”.

A pandemia de covid-19, doença provocada por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro na China, atingiu 196 países e territórios, registando-se mais de 346 mil mortos e mais de 5,5 milhões de pessoas infectadas a nível global, com quase 2,2 milhões de doentes considerados curados, segundo um balanço da agência de notícias AFP.

Em Portugal, morreram 1342 pessoas num total de 31.007 confirmadas como infectadas, com 18.096 doentes recuperados, de acordo com o relatório de hoje da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

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