Dois bebés com covid-19 e doenças crónicas estão nos cuidados intensivos do Hospital D. Estefânia

Hospital de Lisboa recebe crianças de toda a região, do Sul do país e dos PALOP. Dos 14 doentes pediátricos internados com covid-19, três são oriundos do Alentejo e um de um PALOP

Foto
Às 24h de domingo havia 14 crianças internadas no D. Estefânia com covid-19, duas nos cuidados intensivos Miguel Manso

Dos 14 doentes pediátricos internados com covid-19 no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, dois estão nos cuidados intensivos. São bebés com doenças crónicas graves associadas (renal e hematológica), explicou a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, na conferência de imprensa diária desta segunda-feira. Uma das crianças que se encontra nos cuidados intensivos é oriunda dos PALOP e já estava internada no hospital, por problemas relacionados com a sua doença crónica, quando foi detectado que estava infectada com a covid-19.

A responsável diz ser “prematuro e precoce” associar o número de crianças internadas em Lisboa ao processo de desconfinamento. A norte, o número de crianças seguidas pelo Hospital de São João tem vindo a diminuir e apenas uma esteve internada, mas sem necessitar de ir para os cuidados intensivos.

O Correio da Manhã dava conta, na sua edição de segunda-feira, de que duas crianças com menos de um ano estavam internadas no D. Estefânia e ligadas a um ventilador. O diário dizia ainda que havia “um aumento brutal de internamentos” de crianças com covid-19 e que a capacidade de resposta do hospital de Lisboa estava “praticamente no limite”. Informações desmentidas ao PÚBLICO pela assessoria de imprensa do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, de que o D. Estefânia faz parte. “O número de camas de pressão negativa que estão no serviço de infecciologia do Estefânia é pequeno, mas não é completamente fixo, pode variar. O hospital está preparadíssimo para receber mais doentes, sempre esteve. Felizmente, nunca houve um grande número [de crianças internadas], nem sequer um número que pudesse ultrapassar o de camas de pressão negativa, só agora, mas estamos preparadíssimos para receber mais doentes”, disse.

A directora-geral da Saúde também desvalorizou o número de crianças internadas em Lisboa com covid-19 – 14 às 24h de domingo, incluindo os dois bebés em cuidados intensivos, além de 87 doentes a ser acompanhados em casa –, lembrando que o D. Estefânia é o hospital de referência para todo a área de Lisboa, o Sul do país e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Aliás, uma das crianças internadas é oriunda desses países e três outras são do Alentejo, explicou. “[Estes números] são variações em relação aos dias em que tiveram dez ou nove casos. Agora, são 14, teremos de esperar para ver como vão evoluir”, disse Graça Freitas.

No Norte do país, a situação é bem diferente. A directora do serviço de pediatria do Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, Eunice Trindade, diz que “desde o início” as informações relacionadas com o internamento de crianças nas duas cidades foram diferentes, eventualmente fruto dos critérios para se avançar para esse passo. “O Hospital de D. Estefânia reportou muito mais crianças internadas e não foi essa a nossa realidade. Até à data tivemos apenas uma criança internada, com menos de dois anos, por causa de uma febre mais prolongada que motivou esse internamento. Mas não esteve nos cuidados intensivos”, diz.

Para além desse caso, pelo internamento do hospital portuense passaram apenas mais dois menores, que foram internados para sofrerem uma cirurgia de urgência e que, ao realizarem o teste à covid-19, acabaram por ter um resultado positivo. A doença não foi, contudo, a razão para permanecerem no São João. 

Eunice Trindade diz que pelo centro de referência do Norte passaram 110 casos de crianças com covid-19, a maioria das quais com “sintomas leves” e seguidas em casa. Daquelas, 72 já foram consideradas recuperadas. “Como somos um hospital de referência para outras patologias, preparámo-nos com uma zona de internamento com capacidade para internar crianças com problemas crónicos, temos uma grande parcela de imunodeprimidos seguida aqui. Preparámo-nos mais para receber casos desses do que propriamente com covid-19 sem outra patologia associada, mas nem uma coisa nem outra. Tivemos, até agora, uma realidade muito benigna”, diz a responsável pela pediatria do São João.

E nem as últimas semanas, em que o desconfinamento se foi instalando no país, fez alterar, para já, essa realidade. “Pelo contrário, continuamos a ter muito poucos casos positivos, muito ao encontro do que tem acontecido com os adultos, em que os números têm baixado. Não houve aumento com o desconfinamento”, diz.