Covid-19: há mais 14 mortes e 165 infectados em Portugal. Só seis dos 14 óbitos foram registados no último dia

Há 17.822 pessoas recuperadas, mais 273 do que no domingo, dia em que foi registado o maior número diário de pessoas recuperadas. Ao todo, estão internadas 531 pessoas e 72 estão em unidades de cuidados intensivos.

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Hospital Curry Cabral, Lisboa rui gaudêncio

Há mais 14 mortes registadas em Portugal em pessoas com covid-19 (um aumento de 1,1%, num total de 1330 mortes) e mais 165 casos de infecção pelo novo coronavírus (num total de 30.788) – o que corresponde a uma taxa de crescimento de 0,5%. Os dados constam do boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS), actualizado diariamente. 

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, explicou na conferência de imprensa desta segunda-feira que apenas seis dos 14 óbitos que constam do boletim ocorreram nas últimas 24 horas. Segundo o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, “os restantes resultam da verificação dos certificados de óbitos”.

Há ainda um total de 17.822 pessoas recuperadas, mais 273 do que no domingo. Ao todo, estão internadas 531 pessoas e 72 estão em unidades de cuidados intensivos.

Subtraindo ao total de casos confirmados o número de mortes e de recuperados, há ainda 11.636 casos activos no país. 

A região norte é a mais afectada pela pandemia, com registo de 16.699 infecções e 744 mortes, mas o concelho de Lisboa é aquele que soma mais casos de pessoas infectadas: são 2182. A região de Lisboa e Vale do Tejo, que tem registado, desde 9 de Maio, a maior parte das infecções em Portugal, tem 9567 casos confirmados e 322 mortes. 

Em relação às mortes, Graça Freitas esclareceu que os certificados electrónicos emitidos pelos médicos são feitos a pacientes suspeitos de covid-19, mas sem terem ainda um resultado positivo ao teste à covid-19. Estes resultados positivos poderão ocorrer depois de a pessoa já ter morrido, daí a rectificação. “Agora há muito poucos casos de óbitos, não estranhem verem pequenas diferenças.”

“Desconfinar não é descontrair”

Ainda durante a conferência de imprensa, o secretário de Estado da Saúde avisou que os portugueses têm um dever cívico “de se protegerem e de protegerem os outros”. António Lacerda Sales avisou, na sua intervenção inicial, que “desconfinar não é descontrair” e que “normalizar não é desresponsabilizar”, depois de um fim-de-semana em que muitos portugueses aproveitaram o calor para sair das suas casas

Graça Freitas revelou que existem 121 trabalhadores da Sonae (proprietária do PÚBLICO) na Azambuja que tiveram resultado positivo ao teste à covid-19. Outros 30 trabalhadores apresentaram sintomas da doença e uma pessoa encontra-se internada, em estado estável. Na região, mas noutras empresas, foram ainda confirmados mais cinco casos de covid-19: três numa empresa e dois noutra. No total das empresas da Azambuja, foram realizados mil testes.

A directora-geral da Saúde comentou ainda o aumento do número de casos confirmados no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde estão 14 crianças internadas. Duas dessas crianças encontram-se internadas nos cuidados intensivos. “Destas crianças, três vieram de outra região, do Alentejo, e uma de um PALOP [País Africano de Língua Oficial Portuguesa].” As duas crianças nos cuidados intensivos têm “doenças crónicas graves”. “Estão em cuidado intensivo mais pela sua doença de base”, explicou. E acrescentou que é “prematuro associar com qualquer desconfinamento, até porque o hospital recebe crianças de várias origens”.

Dos internados nos hospitais com covid-19, quase 20% continuam internados por razões sociais. Para o secretário de Estado da Saúde, “esse problema das altas sociais não é só de agora”. “É um problema que nos preocupa há bastante tempo. É natural que se possa ter agudizado um pouco com o surto epidémico.” Diz que é um “desafio para o planeamento de políticas sociais” as condições desses internados, devido às “manifestas e reais dificuldades sociais quer a nível social, familiar e de habitação” em que vivem. Apesar das dificuldades, “a rede nacional de cuidados continuados integrados tem respondido de forma adequada”, embora Lacerda Sales reconheça que possam melhorar.

No domingo houve um máximo diário em relação ao número de pessoas recuperadas: foram 9844 num dia, um valor já esperado devido à recontagem de doentes “curados” avançada no sábado pela ministra da Saúde, Marta Temido. Foi ainda registado um total de 1316 mortes e 30.623 casos de infecção, havendo um total de 11.758 casos ainda activos no domingo.

Pelo mundo, há 5,4 milhões de pessoas que foram infectadas desde o início da pandemia, havendo 345 mil mortes e 2,1 milhões recuperados.