Oxigenação das águas da lagoa de Óbidos obrigou a intervenção urgente para retirar areias

Câmaras das Caldas da Rainha e de Óbidos juntaram-se para impedir o fecho do canal de comunicação entre a lagoa e o mar. “Isto é literalmente um paliativo e pode ser dinheiro deitado à rua se não avançarem rapidamente as dragagens na lagoa”, diz Humberto Marques, presidente da Câmara de Óbidos.

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Ciclicamente, dependendo das marés e da força das ondas, a “aberta” da lagoa de Óbidos fecha e esta fica sem comunicação com o mar. As águas da lagoa sobem como se estivesse sempre maré alta e a falta de contacto com o oceano leva à perda de oxigenação da água e à morte das espécies piscícolas e bivalves daquele ecossistema.

Foi para evitar a repetição desta situação que os municípios das Caldas da Rainha e de Óbidos se juntaram e, sob a coordenação técnica da APA e do LNEC, realizaram durante duas semanas uma intervenção que consistiu em alargar o canal de comunicação (conhecido por “aberta”) entre a lagoa e o mar. Quatro dumpers e duas giratórias transportaram areia que tinha vindo a acumular-se junto à “aberta” para o extenso areal da Foz do Arelho, libertando assim a passagem da água entre o mar e a lagoa.

Esta intervenção custou 40 mil euros e foi paga em partes iguais pelos dois municípios que, num exemplo de cooperação, decidiram meter mãos à obra em vez de ficar à espera que a burocracia da APA deixasse morrer os peixes da lagoa.

Humberto Marques, presidente da Câmara de Óbidos, considera que isto foi um adiantamento daquilo que deveria ser o papel do Ministério do Ambiente. “Estou em crer que a APA não se vai pôr de fora”, disse ao PÚBLICO, aguardando agora que o Estado central pague a factura. O autarca diz que assinou um protocolo com o município vizinho das Caldas da Rainha em que ambos se comprometeram a entrar cada um com metade das máquinas para realizar as obras.

O presidente da Câmara de Óbidos diz que a decisão de intervir já na “aberta”, antes que ela fechasse de vez, deveu-se à observação a olho nu daquela situação e aos pedidos dos pescadores e mariscadores da lagoa que alertaram para a falta de oxigenação das águas.

Mas alargar o canal é “literalmente um paliativo, e até pode ser dinheiro deitado à rua, se não avançarem rapidamente as dragagens na lagoa”, diz Humberto Marques, que, com o seu homólogo das Caldas da Rainha, Tinta Ferreira, desesperam com os atrasos dos sucessivos governos em avançar com a segunda fase das dragagens.

A primeira fase decorreu em 2015 e 2016 e era suposto que a segunda se seguisse rapidamente para dar continuidade ao trabalho realizado. Mas tal não aconteceu e, de acordo com os mariscadores da lagoa, parte do trabalho que foi desenvolvido na primeira fase ficou assim perdido porque as areias voltaram a acumular-se junto ao mar.

As próximas dragagens estão previstas para o extremo oposto, na zona interior da lagoa, nos braços da Barosa e do Bom Sucesso. O projecto prevê a retirada de 850 mil metros cúbicos de sedimentos que serão bombeados por tubagens flutuantes para o mar. Um método que evita um tráfico permanente de camiões numa zona ambientalmente sensível.

Humberto Marques diz que espera que a APA não se limite a dragar só a montante e venha também fazê-lo a jusante (mais perto do mar) porque é imperativo evitar nova acumulação de areias naquela zona e um novo encerramento da “aberta”.

As dragagens estão estimadas em 13 milhões de euros e chegaram a ser anunciadas pela APA para o primeiro trimestre de 2019, mas os projectos foram-se atrasando.

Tanto a câmara das Caldas como a de Óbidos responderam ao PÚBLICO que o processo está agora a aguardar o visto do Tribunal de Contas.