Queda das exportações e consumo confirmam recessão na Alemanha

O principal motor da economia alemã travou logo no primeiro trimestre do ano. Exportações caíram 3,1%, contribuindo para um resultado negativo no PIB que ainda deverá ser pior no segundo trimestre.

Fábrica da Porsche. Sector exportador alemão está a ser abalado pela crise
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Fábrica da Porsche. Sector exportador alemão está a ser abalado pela crise Reuters/Ralph Orlowski

Foi por causa de uma contracção do consumo privado e das exportações que a Alemanha, logo no primeiro trimestre deste ano, registou a variação do Produto Interno Bruto (PIB) mais negativa desde 2009 e entrou em recessão, revelam esta segunda-feira os dados publicados pela autoridade estatística do país.

A diminuição de 2,2% no valor do PIB face aos últimos três meses de 2019, agora anunciada, é uma confirmação dos resultados preliminares divulgados em meados deste mês, tornando definitiva a entrada da maior economia europeia em recessão técnica (definida como dois trimestres de variação negativa do PIB), já que nos últimos três meses do ano passado a economia já tinha caído 0,1%.

Os dados do PIB vêm agora também acompanhados de informação adicional sobre os contributos das diversas componentes para o desempenho global da economia.

Assim, apesar de o efeito da pandemia do novo coronavírus apenas se ter sentido na sua plenitude a partir da segunda metade de Março, o consumo privado registou uma queda no total do primeiro trimestre de 3,2%, contribuindo com 1,7 pontos percentuais para a contracção de 2,2% do PIB.

Depois, como seria de esperar para uma economia habituada a crescer por via do seu sector exportador, a queda das vendas ao estrangeiro também teve um papel fundamental no resultado negativo. As exportações caíram 3,1%, contribuindo com 0,7 pontos percentuais para a variação negativa do PIB.

O investimento, apesar de o sector da construção ter ainda resistido, caiu 6,9% e o consumo público, para o qual se espera um papel mitigador da crise, cresceu para já apenas 0,2%.

Os resultados agora obtidos são os piores desde a crise financeira internacional de 2009, mas a expectativa generalizada, tanto para a Alemanha como para os outros países, é que o segundo trimestre do ano registe quedas do PIB, consumo, exportações e investimento ainda mais acentuadas.

Ainda assim, pode-se dizer que a Alemanha resistiu melhor que a maior parte das outras economias europeias. No total da zona euro, durante o primeiro trimestre, a queda registada no PIB foi 3,8%, de acordo com os dados publicados pelo Eurostat a 15 de Maio. Em Portugal, a contracção foi de 3,9%.

A economia alemã poderá ainda vir a beneficiar do facto de ser o país na zona euro em que as medidas de apoio lançadas pelo governo têm uma maior dimensão quando comparadas com o valor do PIB. O impacto orçamental imediato esperado é de 6,2% do PIB.

Poderá ser por isso que, já em Maio, começam a surgir alguns sinais mais positivos para a actividade económica. Esta segunda-feira, o instituto Ifo revelou que o seu índice de confiança empresarial registou em Maio uma subida do mínimo de 74,2 pontos para 79,5 pontos, um valor que ficou acima das expectativas dos analistas.

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