New York Times dedica toda a primeira página às 100 mil vítimas da covid-19

São pequenos obituários, que recuperam a memória de pessoas que morreram por causa do novo coronavírus, numa altura em que os EUA estão quase a chegar a 100 mil mortos.

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A primeira página do NYT deste domingo
A sede do New York Times
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A sede do New York Times Reuters/CARLO ALLEGRI

O jornal norte-americano The New York Times dedica a capa da edição deste domingo a pequenas notícias de obituário de mil vítimas mortais da covid-19 em Nova Iorque, o estado mais afectado nos Estados Unidos pelo novo coronavírus, para assinalar a próxima chegada a 100.000 mortes nos Estados Unidos, que deverá acontecer em breve.

Segundo a Universidade Johns Hopkins, há até este momento 96.046 mortes nos EUA por causa do novo coronavírus, e 1.622.990 casos – os Estados Unidos são o país com mais infecções.

O diário de Nova Iorque dedica a sua primeira página à memória de mil pessoas que morreram devido à pandemia da covid-19 e evoca a vida de cada uma. Por exemplo: “Julie Butler, 62 anos, veterinária da cidade de Nova Iorque que trabalhou no Harlem”. Ou então: “Mari Jo Davitto, 82 anos, Thornton, Ill., as pessoas eram o seu hobby”. Ou ainda:  “Clair Dunlap, 89 anos, Washington, piloto que ainda ensinava as pessoas a voar aos 88 anos”.

Estão lá “Joe Diffie, 62 anos, de Nashville, estrela da música country distinguida por um Grammy”, e “Lila A. Fenwick, 87 anos, de Nova Iorque, a primeira mulher negra a formar-se na Harvard Law School”. E “Myles Coker, 69 anos, de Nova Iorque, libertada após ser condenada à prisão perpétua”.

Estes breves epitáfios recordam as vítimas da doença sem as deixarem esquecidas na avalanche de mortalidade que se abateu sobre o estado de Nova Iorque. “Estas mil pessoas representam apenas um por cento do total. Nenhuma delas era apenas um número”, escreve o jornal na capa, que se encontra totalmente preenchida por texto.

“Pôr 100.ooo pontinhos ou tracinhos numa página não nos diria muito sobre quem são estas pessoas, as vidas que viveram, o que significa para o país”, explica Simone Landon, subeditora do departamento gráfico do New York Times. Por isso teve a ideia de compilar obituários e anúncios de morte de vítimas da covid-19 em jornais de pequena e grande dimensão, e colher as passagens mais significativas.

Uma equipa vasta fez este trabalho de detective, que resultou na capa que Landon classifica como “uma rica tapeçaria” que ela não poderia ter tecido sozinha.

“Queria algo que as pessoas pudessem reler daqui a 100 anos para entender o peso do que estamos a passar”, disse Marc Lacey, chefe de redacção do jornal norte-americano, para justificar a primeira página da edição deste domingo.

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