Espanha detecta gato infectado. Está saudável e assintomático

Para o investigador, este resultado vem confirmar que “os animais de estimação podem ser infectados por pessoas doentes e, como tal, há necessidade de os proteger”.

Vírus detectado num gato, em Espanha
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Vírus detectado num gato, em Espanha LUSA/DIEGO AZUBEL

Um gato infectado com o novo coronavírus - e cujo dono sofre de covid-19 - encontra-se saudável e assintomático, revela um estudo de investigadores divulgado em Espanha, naquele que pode ser o primeiro caso detectado na Europa.

A descoberta ocorreu, segundo a agência EFE, no decurso de projecto-piloto conduzido por José António Oteo, chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário San Pedro de Logroño e do Centro de Pesquisa Biomédica de La Rioja.

A pesquisa, que envolveu doze cães, oito gatos, dois coelhos e um porquinho-da-índia, foi realizada entre 8 de Abril e 4 de Maio junto de 23 animais de companhia de pessoas com covid-19 em La Rioja, província situada no norte de Espanha.

Os animais podem ser infectados por pessoas doentes"

“A infecção foi encontrada na amostra recolhida na boca de um dos gatos, assintomático e que continua perfeito, saudável”, disse à EFE o investigador.

Para José António Oteo, este resultado vem confirmar que “os animais de estimação podem ser infectados por pessoas doentes e, como tal, há necessidade de os proteger”.

“Ninguém mostrou que os animais de companhia podem ser uma fonte de infecção para os seres humanos”, explicou, defendendo a necessidade de ser realizada “mais investigação” nesta área.

“Provavelmente, eles [animais domésticos] não têm carga viral suficiente para nos infectar, mas as informações devem ser geradas quando uma nova infecção emergente aparecer”, como aconteceu com a covid-19, referiu.

Martas são preocupação

Considerado um dos principais especialistas mundiais em doenças transmitidas por carrapatos, José António Oteo manifestou-se preocupado com a possibilidade de as martas poderem transmitir a doença aos seres humanos.

O investigador referia-se ao caso detectado esta semana, na Holanda. Os especialistas daquele país colocam a hipótese de o trabalhador numa quinta de criação de visons ter sido infectado por aquela espécie.

Para Oteo, quando uma nova doença aparece, “é necessário gerar conhecimento”. O investigador alertou que não se podem retirar muitas conclusões da pesquisa agora realizada, mas defendeu que “os gatos podem ficar doentes”.

“Podemos infectar os nossos animais de estimação”, apelando aos donos para que “tenham cuidado e quando estiverem doentes não exponham os animais às suas secreções”. “Protejam os animais de estimação, cuidem deles e sigam as regras de higiene, como acontece com as pessoas”, insistiu.

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