De Janeiro a Abril acelerou-se mais nas ruas de Lisboa

Confinamento levou a uma redução do número global de infracções, mas em vias como a Segunda Circular verificou-se um crescimento entre Março e Abril.

Este radar, próximo do aeroporto, foi dos que registou um aumento de infracções durante Março e Abril
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Este radar, próximo do aeroporto, foi dos que registou um aumento de infracções durante Março e Abril Daniel Rocha

Nos primeiros quatro meses de 2020 houve 34% mais contra-ordenações graves por excesso de velocidade em Lisboa do que no mesmo período do ano passado. Embora o confinamento por causa da covid-19 tenha gerado uma diminuição das infracções registadas pelos radares, entre Janeiro e Abril deste ano foram apanhados a acelerar em demasia mais 11 mil automobilistas do que em 2019.

Os dados do sistema de radares de Lisboa, gerido pela Polícia Municipal, mostram que até 30 de Abril, somados os radares fixos e móveis, foram registadas 45.251 infracções graves, aquelas em que os condutores circulavam 20 km/h (no caso de motas e automóveis) ou 10 km/h (no caso dos restantes veículos a motor) acima do permitido. No ano passado tinham sido 33.661, o que corresponde a um crescimento de 11.590.

Em sentido contrário estão as contra-ordenações leves, que passaram de 354 em 2019 para apenas 18 este ano, e as contra-ordenações muito graves, que registaram uma quebra de 38%, das 4752 no ano passado para as 3437 este ano. Estas últimas verificam-se sempre que um condutor anda 60 km/h (motas e automóveis) ou 40 km/h (restantes veículos) acima do limite legal.

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Lisboa tem neste momento um sistema com 21 radares fixos, instalados em vias largas e rectas que geralmente têm muito trânsito. É o caso da Segunda Circular, da Av. de Ceuta, da Av. Brasília, da Infante D. Henrique ou da Marechal Gomes da Costa, por exemplo. Em breve serão instalados mais 20 destes radares, num investimento de 2,1 milhões de euros que contempla ainda a substituição dos antigos aparelhos, existentes desde 2007. A estes soma-se o radar do Túnel do Marquês, campeão do registo de infracções, e os radares móveis que a Polícia Municipal vai mudando de sítio diariamente.

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Este ano, por causa da covid-19 e dos estados de emergência, não houve radares móveis nas ruas no mês de Abril e nas duas primeiras semanas de Maio, mas os fixos mantiveram-se a funcionar durante a fase mais crítica do confinamento e os seus dados evidenciam uma relação directa entre o número de carros na estrada e o número de infracções por excesso de velocidade. Ambos diminuíram.

Nas duas primeiras semanas de Março registou-se uma média diária de infracções superior a 300, com um dia (4 de Março) a atingir as 533 contra-ordenações e outro (12 de Março) a chegar às 622. Faltava então exactamente uma semana para a primeira declaração do estado de emergência e é o valor mais alto registado no período de 1 de Março a 20 de Abril, cujos dados a polícia forneceu ao PÚBLICO.

A partir daí, coincidindo com esse primeiro estado de emergência, verifica-se uma queda constante na média diária de infracções, que atinge o mínimo na semana anterior à Páscoa: 196,4. Nos dias seguintes volta a ver-se um crescimento dos números.

Mais ‘aceleras’ em estradas vazias

Esta tendência decrescente é notória em vários radares, mas outros há em que se verifica precisamente o contrário. Na Segunda Circular, o radar junto ao aeroporto apanhou mais condutores em excesso de velocidade na semana entre 30 de Março e 4 de Abril do que nas quatro anteriores. No princípio de Março verificara-se naquela via uma média de 6 a 9 infracções por dia, mas o mês terminou com uma média diária superior a 28.

“É normal que, com a enorme queda de tráfego que tivemos, haja pessoas que se aproveitem disso e terá havido alguns abusos”, diz Miguel Gaspar, vereador da Mobilidade de Lisboa, a quem o PÚBLICO pediu um comentário sobre os dados. “As estradas estão mais livres, o que para a Carris é óptimo, mas estão mais livres para todos”, aponta.

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No Túnel do Marquês, que como habitualmente foi o local onde mais veículos foram detectados em infracção, o confinamento também não teve um efeito expressivo. A média diária de contra-ordenações manteve-se constante, entre as 40 e as 50, ao longo das sete semanas analisadas.

Na quinta-feira, a câmara aprovou a adjudicação dos 20 novos radares e a substituição dos actuais. Segundo Miguel Gaspar, estes aparelhos terão outras funcionalidades para lá do controlo de velocidade, como apanhar carros que passem com o sinal vermelho ou que circulem indevidamente nas faixas bus. Isso, porém, está ainda dependente da aprovação de um regulamento pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. “Está a ser feito um esforço muito grande para que isso esteja ultrapassado rapidamente, espero que até ao fim do ano”, afirma o vereador.