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Universidades europeias e egípcias criam app para ensinar línguas a migrantes

A 7Ling é uma app gratuita de apoio à aprendizagem de línguas estrangeiras por pessoas em situação de desvantagem social.

Uma associação de 12 universidades europeias e egípcias desenvolveu uma aplicação móvel multilingue para migrantes e refugiados, anunciou esta sexta-feira, 22 de Maio, a Universidade de Coimbra, que integra o consórcio. Totalmente gratuita, a app — denominada 7Ling — já está disponível para os sistemas Android e iOS.

7Ling visa sobretudo “oferecer a migrantes e refugiados, entre outros, a possibilidade de aprenderem alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e português”, adianta Cristina Martins. A aplicação “inclui ainda traduções em árabe, para corresponder às necessidades dos utilizadores que conheçam esta língua”, sublinha a docente da Faculdade de Letras da UC e coordenadora da equipa portuguesa no projecto.

A aplicação foi criada no âmbito do projecto XCELING (Towards Excellence in Applied Linguistics. Innovative Second Language Education in Egipt), que tem como “objectivos a capacitação do Egipto na área do ensino de línguas estrangeiras através da inovação no âmbito das metodologias de ensino, o desenvolvimento de investigação em linguística aplicada ao ensino de línguas não maternas e da transferência do saber para grupos com necessidades especiais, por via da criação de recursos linguísticos de livre acesso”. Financiado pelo programa europeu Erasmus+, o XCELING “assenta em três dimensões principais": “ensino” (formação de formadores), “aprendizagem” (educação pré-doutoramento) e “extensão à comunidade” (criação de materiais de ensino de livre acesso).

“É precisamente nesta última dimensão que se enquadra esta app gratuita de apoio à aprendizagem de línguas estrangeiras por pessoas em situação de desvantagem social”, explica Cristina Martins.

Trata-se de “uma aplicação que se apresenta como uma ferramenta ao serviço da aprendizagem de línguas, num momento em que, com a crise sanitária, se torna particularmente relevante o apoio à educação virtual”, acrescenta, citada pela UC, a investigadora do Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada da Universidade de Coimbra.

Desenhada essencialmente para a satisfação de necessidades básicas dos utilizadores, a aplicação está divida por secções temáticas: “recém-chegado, na cidade, compras, à procura de alojamento, à procura de emprego, no médico”, nota a UC.

Além disso, contém actividades de treino e diversas funcionalidades centradas na adaptação ao meio: “números e letras, vocabulário, documentos e procedimentos administrativos e informação sociocultural sobre os países de acolhimento”.

É também uma ferramenta útil para “apoiar professores que estão a trabalhar com este tipo de estudantes, porque permite justamente que eles consolidem estruturas linguísticas e vocabulário autonomamente”, destaca Cristina Martins.

Embora tenha sido pensada para migrantes e refugiados, na realidade esta app pode ser usada por qualquer pessoa, conclui a investigadora. Além da UC, integram o consórcio as universidades de Salamanca, de Bolonha, de Heidelberg, de Poitiers, de Alexandria, do Cairo, de Helwan, de Pharos, de Minia, de Luxor e Trinity College de Dublin.

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