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À sexta-feira, Joana tira a filosofia dos livros e leva-a para as redes sociais

Projecto #FilosofiaAoVivo convida-nos a aprender sobre filósofos e as suas teorias, em directos no Instagram e no Twitter. As sessões de 30 minutos pretendem mostrar a ligação entre a filosofia e o nosso quotidiano. Nietzsche é a figura desta semana.

Filosofia é a disciplina que todos temos obrigatoriamente no secundário. Há quem goste dos debates, há quem ache aborrecido decorar teorias de grandes pensadores. Joana Rita Sousa criou o projecto #FilosofiaAoVivo para “fazer com que a filosofia saia de dentro dos livros, onde às vezes está guardada cheia de pó, e levá-la às pessoas, à praça pública, como Sócrates”, conta ao P3.

Licenciada em Filosofia e mestre em Filosofia para Crianças, Joana considera que o interesse pela disciplina depende muito da forma como o professor a aborda. Acredita que partir do momento em que as pessoas compreendem as ligações entre a filosofia e a sua vida, o gosto surge naturalmente — é​ esse, aliás, o objectivo da filosofia aplicada, área em que trabalha há vários anos.

Habituada a fazer oficinas para crianças e jovens, viu as suas actividades suspensas com a pandemia de covid-19. Decidiu então continuar a fazer o que já fazia, desta vez dirigindo-se aos pais e educadores que a acompanham nas redes sociais. O Instagram e o Twitter foram as plataformas escolhidas. As conversas são semanais, todas as sextas-feiras, às 12h30. Os directos duram entre 25 a 30 minutos e abordam conceitos e ideias de filosofia e filósofos, como Kant, Hipácia ou Platão.

Para a professora, a filosofia “enquanto um espaço específico” aparece tarde no percurso das pessoas. Desde 2008 que o seu público habitual são crianças de 4 ou 5 anos. Alguns pais estranham o conceito de filosofia para crianças, confessa. Mas após ultrapassarem a barreira inicial de pensarem que a filosofia é algo complexo” e encontrarem “pontes da filosofia com a sua vida, começam a interessar-se pelo prazer de pensar”.

“As teorias que aprendemos na escola ajudam-nos a ver o mundo, mas a filosofia não é só decorar”, explica. Devíamos poder dialogar com “as palavras do filósofo”, criticar e questionar. “Eu tenho de saber o que o Kant diz sobre ética, mas posso questionar isso”, realça. Dessa forma, a filosofia deveria ser como um ginásio para o diálogo e o pensamento crítico, tornando-se “quase natural em tudo o que fazemos na nossa vida”.

O feedback dos vídeos tem sido bastante positivo, ao ponto de já haver “filósofos pedidos”. A ideia é que estes directos promovam a interacção, havendo a possibilidade de fazer perguntas e comentários. Este mês, já se falou de Santa Teresa d'Ávila e Agostinho da Silva; seguem-se Nietzsche (esta sexta-feira, dia 22) e Pitagóricas (dia 29). Quem perdeu as primeiras sessões pode sempre recorrer ao Twitter, que arquiva o áudio, e ouvir quando quiser. Após cada sessão, Joana também faz sempre uma publicação no seu blogue com um resumo da conversa e links de artigos e livros para quem quiser explorar mais. 

Texto editado por Amanda Ribeiro

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