Covid-19. EUA pagam mil milhões por 300 milhões de doses de potencial vacina

Empresa farmacêutica AstraZeneca anunciou encomendas no valor de 400 milhões de doses, mas admite que vacina poderá não funcionar. Governo norte-americano apoia farmacêuticas para assegurar fornecimento, quando for descoberta solução para a pandemia.

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Reuters/Dado Ruvic

A empresa farmacêutica AstraZeneca anunciou, esta quinta-feira, que estabeleceu acordos para 400 milhões de doses de uma vacina que está a ser desenvolvida com a colaboração da Universidade de Oxford.

No comunicado da empresa citado pela BBC, a farmacêutica diz que até ao final de 2021 terá capacidade de produzir mil milhões de doses da vacina — baptizada com o nome AZD1222 — para o novo coronavírus. Apesar da confiança de que este produto estará disponível a partir de Setembro, a AstraZeneca reconhece que podem existir problemas de fiabilidade.

De acordo com a Bloomberg, 300 milhões das doses encomendadas destinam-se aos Estados Unidos, que se comprometeram a entregar 1,2 mil milhões de euros à farmacêutica AstraZeneca. A farmacêutica fornecerá estas doses da vacina até Outubro. Esta verba será disponibilizada pela autoridade norte-americana de Pesquisa Avançada e Desenvolvimento Biomédico, como parte da Operação Warp Speed, uma iniciativa do Governo de Trump para garantir que o país tem acesso facilitado a uma eventual vacina.

“Estamos a fazer vários investimentos no desenvolvimento e produção de vacinas promissoras muito antes de serem aprovadas, para que uma vacina bem sucedida chegue ao povo americano sem um dia desperdiçado”, afirmou, em comunicado, o secretário da Saúde e Serviços Sociais, Alex Azar. A administração Trump tem sido criticada pelo modo como tem combatido a pandemia: os Estados Unidos são o país mais afectado, tanto no número de infecções como no de óbitos. 

Dezenas de outros projectos estão em desenvolvimento em vários países com o objectivo de se chegar a uma vacina. O Presidente chinês, Xi Jinping, deixou a garantia de que se a vacina for descoberta pelos cientistas do país, será disponibilizada para todos os restantes países.

Tal como já tinha acontecido à farmacêutica Moderna no início da semana, também a AstraZeneca já sentiu um efeito positivo nas suas acções ao anunciar estes acordos comerciais para uma potencial vacina. Em Wall Street, as suas acções valorizaram-se 3,64% desde o anúncio, valendo agora 55,74 dólares por acção, o valor mais alto da história da empresa.

Tal como a AstraZeneca, também a empresa norte-americana Moderna foi apoiada com capital da Administração Trump. A estas duas farmacêuticas juntam-se ainda projectos de investigação na francesa Sanofi e na Johnson & Johnson.

Para a AstraZeneca, esta semana foi duplamente bem sucedida: a farmacêutica detém uma participação na Moderna desde 2013 que, com os resultados positivos dos ensaios clínicos em humanos anunciados esta semana e consequente valorização bolsista, vale agora mais de dois mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros).

O novo coronavírus já infectou mais de cinco milhões de pessoas, provocando a morte de 329.186 pessoas desde o início da pandemia.