Covid-19 faz mais 16 mortes em Portugal. Menos de 100 doentes em cuidados intensivos pela primeira vez desde Março

Há menos de 100 pessoas nos cuidados intensivos pela primeira vez desde 28 de Março. Dos 228 novos casos, 198 foram detectados em Lisboa e Vale do Tejo, quase 87%.

Foto
Há 93 pessoas nos cuidados intensivos Manuel Roberto

Portugal registou nesta quarta-feira mais 16 mortes por covid-19, um aumento de 1,3%, que eleva para 1263 o total de vítimas mortais. Nas últimas 24 horas, foram detectadas mais 228 pessoas infectadas, o que corresponde a uma taxa de crescimento de 0,8%. Desde o início do surto, foram identificados 29.660 casos.

De acordo com o boletim epidemiológico desta quarta-feira da Direcção-Geral da Saúde (DGS), há menos 20 pessoas internadas (609), das quais 93 estão nos cuidados intensivos (menos oito do que na terça-feira). O número de doentes nestas unidades está abaixo da centena pela primeira vez desde 28 de Março (89).

O relatório dá ainda conta de mais 21 pessoas que recuperaram da infecção pelo vírus SARS-CoV-2, o que faz aumentar o número total de recuperados para 6452. Uma pessoa é considerada “curada” depois de um teste com resultado negativo, caso o tratamento esteja a ser feito em casa, ou dois em 24 horas se o doente estiver no hospital. Excluindo o número de recuperados e de óbitos, há 21.945 casos activos em Portugal, mais 191 do que no dia anterior.

Há 2405 pessoas a aguardar resultado laboratorial e 25.281 estão sob vigilância das autoridades de saúde.

De acordo com António Lacerda Sales, o valor de Rt (o número médio de contágios causados por cada pessoa infectada) de “13 a 17 de Maio, a nível nacional” foi de 0,95. “Estamos perante uma estabilidade deste indicador”, disse o secretário de Estado da Saúde na conferência de imprensa diária relacionada com a pandemia de covid-19. “Desde 11 de Maio, a taxa de testes positivos diários é de 5%”, referiu.

A taxa de letalidade global da doença é de 4,3%, e sobe para 16,1% acima dos 70 anos, de acordo com António Lacerda Sales, na conferência de imprensa desta sexta-feira. Pelo menos 71,9% dos doentes estão a ser receber tratamento em casa e 2,1% estão internados: 1,8% em enfermarias, 0,3% nos cuidados intensivos. 

Relativamente às mortes, 1096 das 1263 vítimas mortais (cerca de 87%) estão acima dos 70 anos, sendo que 15 das 16 registadas esta quarta-feira foram nesse grupo etário – o outro óbito tinha entre 60 e 69 anos, o grupo etário em que há registo da morte de 113 pessoas. O relatório dá ainda conta de 40 pessoas com idades entre os 50 e 59 anos; 13 pessoas entre os 40 e os 49 anos; e uma vítima mortal entre os 20 e os 29 anos.

A região Norte continua a ser a que concentra o maior número de casos, com 16.488 pessoas infectadas e 713 óbitos – 55,6% da totalidade dos casos e 56,4% das mortes. No entanto, a região de Lisboa e Vale do Tejo é a que apresenta o maior crescimento: registou 198 dos 228 novos casos (86,8%). É a segunda mais afectada do país, com 8688 casos confirmados e 289 vítimas mortais. 

A região Centro tem 3655 casos registados e 230 mortes, seguida da região do Algarve, com 356 infectados e 165 óbitos. O Alentejo assinala até esta quarta-feira 248 casos e uma morte. Os Açores e a Madeira são as regiões com menor número de casos, com 135 e 90, respectivamente. A Madeira é a única região sem mortes por covid-19, sendo que os Açores têm registo de 15 óbitos. As duas regiões não apresentam mudanças nos números desde 12 de Maio.

De acordo com os dados do Sinave – Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, que correspondem a 90% dos casos confirmados, Lisboa é o concelho com maior número de casos (2046), seguido de Vila Nova de Gaia (1521) e do Porto (1334). Há outros três concelhos com mais de mil casos identificados: Matosinhos (1245), Braga (1196) e Gondomar (1065).

Até terça-feira, Portugal tinha registado um total de 29.432 casos de infecção, 1247 mortes e 6431 recuperados.

Orientações para as grávidas está a ser revista

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, relembrou, esta quarta-feira, que a questão associada às grávidas “tem duas componentes: a grávida e o recém-nascido”. Este último teve publicado recentemente as respectivas orientações face à pandemia de covid-19. Por outro lado, a DGS está, actualmente, “a rever as orientações das grávidas para sair a actualização”.

Questionada quanto ao acompanhamento durante o parto, Graça Freitas disse que a situação é “delicada” e relaciona-se com a “probabilidade do acompanhante poder ser contagiado" ou se o mesmo está afectado e, assim, “pode aumentar o risco para quem esta dentro da sala de partos”. 

“As condições físicas do local do parto podem [ajudar a] decidir que tipo de acompanhamento é que se faz. É a equipa clínica que faz [essa decisão]. Se for uma sala grande o risco será menor do que numa sala pequena”. Deste modo, por enquanto são ainda os hospitais e equipas clínicas a adaptarem a regra geral aos espaços que têm disponíveis.

Transportes continuam higienização das superfícies

Questionada quanto à possibilidade de a transmissão do novo coronavírus por superfícies, especialmente em transportes públicos, não ser tão intensa, Graça Freitas indicou que a DGS irá continuar a “pôr muita ênfase na desinfecção das superfícies”.

“Saiu um estudo, baseado numa indicação da OMS [Organização Mundial de Saúde], de que a transmissão através das superfícies pode não ser tão intensa, mas não temos a certeza” explicou.

“Uma das coisas que caracteriza esta pandemia é a incerteza. A própria OMS continua a recomendar a higienização de superfícies e objectos. Os transportes têm indicações muito precisas sobre [este assunto] e por sua vez, as pessoas têm indicação para tocar o mínimo nessas superfícies. Até agora podem ser consideradas fonte transmissão.”

Sobre a reabertura de ginásios, Graça Freitas disse não ser da competência da DGS definir uma data. “Em Portugal, como nos outros países, a reabertura das actividades económicas tem sido gradual”, começou por explicar a directora-geral da Saúde.

Referindo-se à reunião que ocorreu na terça-feira, 19 de Maio, Graça Freitas indicou que foram acertados “conjuntos de boas práticas boas práticas” de forma a minimizar ao máximo o risco. Contudo, afirmou que não há ainda uma data definida, “nem sequer compete à DGS [definir uma data]”.