Comércio: continuação do layoff simplificado “é imprescindível”

Entre 25% a 30 % dos pequenos restaurantes ainda não abriu portas. CCP pede campanhas institucionais a incentivar portugueses a sair de casa.

João Vieira Lopes pede mensagem de confiança para recuperar a actividade económica.
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João Vieira Lopes pede mensagem de confiança para recuperar a actividade económica. Rui Gaudencio

A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, não esclareceu esta quarta-feira se o Governo vai prolongar o actual regime de layoff simplificado, que termina a 30 de Junho. “Esta incerteza está a preocupar muitos pequenos empresários”, como adiantou ao PÚBLICO João Vieira Lopes, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), que considera “imprescindível a sua continuidade por mais alguns meses”.

O presidente da CCP adianta que os estabelecimentos que já abriram, bem como os que ainda vão abrir (como é o caso de boa parte das lojas dos centros comerciais, a 1 de Junho), “terão quebras de vendas muito brutais. Não podendo, por isso, suportar a totalidade dos custos, nomeadamente os relativos à totalidade dos trabalhadores”.

Na audição, pedida pelo PAN para explicar como está a ser gerido o acesso ao layoff e os atrasos no seu pagamento, reportado por várias empresas, a ministra Ana Mendes Godinho revelou que há quase 65 mil empresas que já pediram a renovação do layoff.

O presidente da CCP defende que, sem o prolongamento do actual regime de layoff, muitas empresas, particularmente as mais pequenas, não sobreviverão, o que terá um forte impacto nos números do desemprego. Para além dos apoios extraordinários à manutenção do contrato de trabalho, a CCP apresentou ao Governo um conjunto de propostas, nomeadamente a de um perdão de rendas.

 Nas actividades que abriram esta segunda-feira, nomeadamente restaurantes, cafés e lojas até 400 metros quadrados, com porta para a rua, Vieira Lopes admite que entre 25% a 30% dos pequenos estabelecimentos não abriu portas. E uma parte dos que abriram só está a servir almoços, por falta de clientes à noite, o que representa uma forte redução nas suas receitas.

O presidente da CCP considera positivos os exemplos dados pelo primeiro-ministro e outros governantes, de tomar o pequeno-almoço e almoço em estabelecimentos que abriram esta semana, mas defende que a mensagem, através de diversos meios, incluindo placards electrónicos nas auto-estradas, continuam a recomendar aos portugueses que fiquem em casa.

Para Vieira Lopes, neste momento, “a mensagem deve mudar, incentivando, com moderação, as pessoas a saírem de casa, ou pelo menos terminar com as que assustam as pessoas”. 

A recém-criada Associação de Marcas de Retalho e Restauração aponta para quebras nas vendas das lojas e restaurantes já abertas de 60% a 80%, e reclama um “perdão" de rendas, em contrapartida da extensão dos contratos.

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