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Síria confisca bens do primo de Assad e aprofunda divisão na família do regime

O empresário Rami Makhlouf foi um dos principais financiadores do regime sírio durante a guerra, mas nos últimos tempos começou a acusar o Presidente Bashar al-Assad de o perseguir.

Analistas falam numa divisão rara na família que governa o país há 50 anos
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Analistas falam numa divisão rara na família que governa o país há 50 anos Sana

O Governo da Síria confiscou os bens do empresário Rami Makhlouf, primo direito do Presidente Bashar al-Assad e uma voz cada vez mais crítica do regime sírio. A ordem das autoridades segue-se à divulgação de três vídeos em que Makhlouf acusa Assad de o perseguir com a cobrança de impostos excessivos e a detenção de trabalhadores das suas empresas.

Num documento citado pela agência Reuters, que tem a data desta terça-feira, 19 de Maio, e é assinado pelo ministro das Finanças da Síria, as autoridades reclamam o pagamento de dívidas à reguladora das telecomunicações no país.

Rami Makhlouf é considerado o homem mais rico da Síria e lidera um império empresarial que se estende a vários sectores da economia, da construção ao turismo. Nas telecomunicações detém a Syriantel, a maior operadora do país. 

Nos últimos tempos, o empresário tem criticado em público o Presidente Bashar al-Assad, de cujo círculo próximo fez parte no passado. As queixas de Rami Makhlouf centram-se na acusação de que o seu primo quer cobrar-lhe somas “injustas” em impostos, mas a rara desavença pública mostra que o regime pode estar a sofrer uma brecha.

Especialistas na política da Síria dizem que o confronto entre os dois primos pode marcar a primeira grande divisão em décadas, numa família que lidera o país desde que o pai de Bashar al-Assad, Hafez al-Assad, tomou o poder em 1970.

As críticas de Rami Makhlouf surgiram quando dois próximos do Presidente russo, Vladimir Putin, lançaram críticas directas, e raras, ao líder sírio, dizendo que o consideram incapaz de fazer compromissos e “fraco”.

As queixas de Makhlouf foram registadas em três vídeos publicados na Internet, o último dos quais divulgado no domingo. Na gravação, o empresário sírio disse que foi ordenado a afastar-se da liderança da Syriatel.

O Governo diz que a empresa de telecomunicações deve ao Estado 134 mil milhões de libras sírias, o equivalente a 70 milhões de euros nos mercados de câmbio paralelos.

Esta terça-feira, Makhlouf publicou uma carta com a data de segunda-feira, onde nega as acusações do Ministério das Telecomunicações de que a Syriatel se recusou a pagar um valor referente à regularização da sua licença.

Rami Makhlouf foi um dos principais financiadores do regime sírio na guerra civil, que fez mais de meio milhão de mortos e 13 milhões de deslocados no próprio país e no estrangeiro na última década. É uma das figuras do regime de Bashar al-Assad que foi alvo de sanções por parte dos Estados Unidos e da União Europeia.

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