Músicos da Sinfónica do Porto gravam Fandango de Luís de Freitas Branco

Peça é o terceiro e último andamento da primeira das duas Suites Alentejanas do compositor. Vai ser transmitida online na quinta-feira, às 22h00.

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O violinista Álvaro Pereira DR

Os músicos da Orquestra Sinfónica do Porto interpretaram, a partir das suas respectivas casas, Fandango, de Luís de Freitas Branco, cujas gravações foram reunidas pela equipa técnica da Casa da Música para um registo a ser divulgado na próxima quinta-feira.

Cada um dos cerca de 50 músicos gravou a sua parte em casa e enviou-a para a Casa da Música, a que depois se seguiu o trabalho técnico de reunir as “peças do puzzle”, cujo resultado final vai ser transmitido online na quinta-feira, às 22h00.

“As outras orquestras estavam a fazer outro tipo de obras, como o Bolero, de Ravel, a Nona Sinfonia de Beethoven, o Hino à Alegria, também muito badalado nestes dias de confinamento”, disse à Lusa o violinista Álvaro Pereira, antes de acrescentar que, se não se pode sair de Portugal, “melhor do que [interpretar] música portuguesa é difícil”.

O violinista afirmou tratar-se de “uma obra muito alegre, ao contrário do que tem sido o hábito de tocar, coisas mais lentas e mais melancólicas”. E essa característica, a par da sua complexidade técnica, veio dificultar a coordenação entre os músicos, à distância.

“Individualmente, foi difícil porque a obra é tecnicamente exigente. Uma coisa é quando nós estamos na orquestra e temos, por exemplo, no meu naipe, 16 primeiros violinos a tocar todos a mesma parte. Neste caso, temos os 16 – ou os que participaram – a tocar a sua parte individualmente e a gravá-la. É bastante difícil porque estamos habituados a ter o apoio dos colegas, a ter uma massa sonora que, sozinhos, não existe”, explicou o músico. Álvaro Pereira destaca o trabalho técnico de “pôr o puzzle todo junto”, que “talvez tenha demorado mais” do que a gravação propriamente dita.

Composição várias vezes interpretada pela Orquestra Sinfónica do Porto, Fandango é o terceiro e último andamento da primeira das duas Suites Alentejanas de Luís de Freitas Branco. “É, provavelmente, o trecho mais conhecido de Luís de Freitas Branco, sendo frequentemente interpretado como peça isolada ou como encore. A Suite n.º 1 foi estreada pela Orquestra Sinfónica de Lisboa, a 8 de Fevereiro de 1920, no Teatro Politeama, sob a direcção do pianista e compositor Vianna da Motta”, pode ler-se numa sinopse da Casa da Música sobre a peça.

Segundo o mesmo texto, Freitas Branco escreveu a obra para uma “formação orquestral constituída por três flautas, dois oboés, corne inglês, dois clarinetes, clarinete baixo, dois fagotes, quatro trompas, três trompetes, três trombones, tuba, timbales, bombo, pratos, caixa, triângulo, castanholas (quatro percussionistas) e harpa, para além das cordas”.

Dança de pares, comum em várias regiões da Península Ibérica, o fandango “era dançado muitas vezes em tabernas, [onde] os homens iam para cima das mesas e dançavam ao despique”, recordou Álvaro Pereira. Freitas Branco “consegue exprimir muito bem esta característica no Fandango, com os solos dos diferentes instrumentos que se vão apresentando”.