Novo ministro israelita sublinha importância da paz com Jordânia e Egipto

Novo Governo israelita tomou posse prometendo anexar partes da Cisjordânia. Mas aumentam os sinais de que a anexação pode não ser para já.

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O Governo de Benny Gantz e Benjamin Netanyahu prometeu anexar partes da Cisjordânia até 1 de Julho Reuters

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gabi Ashkenazi, declarou esta segunda-feira que o plano de paz para o conflito israelo-palestiniano do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dá a Israel “uma oportunidade histórica de definir o futuro e as fronteiras nas próximas décadas”, mas contrapôs que é preciso agir com cuidado para preservar as relações com os dois países da região com quem Israel tem tratados de paz, a Jordânia e o Egipto.

Estes tratados e a paz com estes dois países vizinhos são, disse Ashkenazi, antigo chefe militar, um bem estratégico “de grande importância” para Israel.

Na semana passada, o rei Abdullah da Jordânia disse numa entrevista à revista alemã Der Spiegel que se Israel anexasse parte da Cisjordânia em Junho — como está previsto no programa do Governo — “isso iria levar a um enorme conflito com o reino hachemita da Jordânia”. Questionado sobre se isso poderia significar o fim do tratado de paz entre os dois países, assinado em 1994, Abdullah respondeu: “Não quero fazer ameaças e criar um ambiente de antagonismo, mas estamos a considerar todas as opções.”

Embora vários analistas sublinhem que o tratado é importante tanto para Israel como para a Jordânia, e que o reino hachemita está a enfrentar uma crise económica por causa da covid-19 que só pioraria com o fim do tratado, a analista Ksenia Svetlova, do Instituto de Política e Estratégia de Herzliya,diz que as palavras de Abdullah devem ser levadas a sério. “As palavras do rei foram muito fortes comparadas com a sua habitual moderação”, apontou Svetlova em declarações ao diário israelita Jerusalem Post.

Por outro lado, ao sublinhar a importância da relação de Israel com a Jordânia e o Egipto, “Ashkenazi está a dizer: vamos abrandar, ninguém nos está obrigar a anexar”, comentou. 

As palavras seguem-se ao que foi visto como uma “luz amarela”, o sinal dado pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, quando esteve na semana em Israel numa visita com a covid-19 em pano de fundo (aliás, a primeira viagem a este nível em contexto de pandemia).

No comunicado final, o Departamento de Estado nem sequer falou da anexação, e nas declarações que fez, Pompeo disse que esta era uma questão interna de Israel e que a data da anexação, que no plano do Governo aprovado no domingo está prevista ter lugar até 1 de Julho, não tinha de estar escrita na pedra.

A oportunidade para o plano de Trump (que é, por outro lado, recusado pelos palestinianos) parece ter ficado adiada do lado americano, com o Presidente a focar-se mais na campanha eleitoral para as eleições de Novembro.

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