O novo Clube de Vela estreia-se com vista para a ria e para o céu da Costa Nova

Aos 26 anos, o restaurante da marina rejuvenesceu. Depois de ter sofrido profundas obras de reabilitação, reabre esta segunda-feira ao público.

Fotogaleria
Adriano Miranda
Fotogaleria
Adriano Miranda
Fotogaleria
Adriano Miranda

Se houvesse um concurso destinado a premiar as vistas dos espaços de restauração, o Restaurante Clube de Vela, situado na Costa Nova, em Ílhavo, seria um forte candidato ao prémio. Afinal, não serão muitos os restaurantes que se podem gabar de ter vista para um espelho de água e, simultaneamente, para o céu.

Plantado em plena marina do Clube de Vela da Costa Nova, o espaço foi alvo de profundas obras de requalificação. Encerrou no final de 2019 e, não obstante os atrasos a que a obra esteve sujeita, por força da pandemia de covid-19, esta segunda-feira abre portas ao público  no mesmo dia que marca o regresso dos estabelecimentos ligados à restauração, fechados desde Março. Melhoraram as condições da sala, em beleza e conforto, mas a aposta da casa continuará a girar à volta do peixe fresco e marisco, com espaço para algumas carnes de qualidade.

PÚBLICO -
Foto
Adriano Miranda

Para quem conheceu a casa que está prestes a completar 26 anos de existência, fica difícil não reparar nas diferenças entre o “antes” e o “depois”. O projecto de requalificação, a cargo do arquitecto José Ferreira, apostou todas as fichas na paisagem do canal de Mira (janelas em toda a altura das paredes) e do céu (parte do tecto da sala é envidraçado), elegendo a madeira como elemento central da decoração. Importa não esquecer que estamos na terra dos palheiros e o próprio exterior do Restaurante Clube de Vela é feito dessas “risquinhas” que dão cor e fama à Costa Nova. “Foi um projecto desafiante, é sempre complicado quando se mexe em locais com história”, desabafava à Fugas o arquitecto, enquanto acompanhava os últimos retoques na exposição da sala. 

Este é um daqueles espaços que atravessou gerações, ao nível da clientela e também da gerência. “Começou com o meu avô em 1994, depois passou para o meu pai e, em 2016/2017, tive de pegar eu no restaurante”, recorda Juca Garcia. Em Maio do ano passado, decidiu passar a casa que estava carregada de memórias de pessoas que já tinham falecido – primeiro o avô e, depois, o pai  , entregando-a “a alguém que lhe desse um novo rumo e mais força”. “E o resultado aqui está”, nota, convicta de que o pai e o avô ficariam orgulhosos por ver o rejuvenescimento do espaço.

Apesar de já não ser proprietária, Juca Garcia mantém-se ligada ao espaço, desempenhando as funções de chefe de sala. Está ansiosa por voltar a receber os clientes de sempre e outros mais.

PÚBLICO -
Foto
Manuel Almeida Santos é o novo proprietário do Clube de Vela Adriano Miranda

O sonho de uma vida

Manuel Almeida Santos é o homem que está agora à frente do Restaurante Clube de Vela. Dos seus 43 anos de vida, 30 foram passados a trabalhar neste sector. Iniciou-se com os pais e foi ganhando asas com negócios próprios, tendo já assumido a gerência de espaços como a Canastra do Fidalgo, Fusões e Tigre, entre outros. “O Restaurante Clube de Vela é o sonho de uma vida, há muitos anos que eu olhava para esta casa e ambicionava um dia ficar com ela”, conta.

Esta segunda-feira vive o primeiro dia desse sonho, consciente de que “são tempos diferentes, com muitas exigências”. “Mas cá estamos para nos adaptar.” Tal como mandam as normas, o distanciamento entre mesas está assegurado, foi criado um circuito de entrada e saída e as portas e casas de banho serão desinfectadas após cada uso, entre outros procedimentos. “E, mais do que nunca, aconselhamos a realização de reserva prévia”, frisa.

Às mesas dos clientes irão chegar entradas como a salada de polvo (9,50 euros), as amêijoas à Bulhão pato (18,50 euros) ou as enguias fritas (17 euros). A lista de pratos de peixe é composta de robalo ao sal (48 euros/kg), bacalhau e o alho (16 euros), filetes de polvo (19 euros), açorda de marisco (22 euros), cataplana de marisco (22 euros) e arroz de marisco (22 euros), entre outros. Nas carnes, destaque para o chuletón maturado (60 euros/Kg) e os secretos de porco preto (16 euros).