Domingo, a curta que retrata a monotonia de um domingo de confinamento

É uma história "muito simples", tal como aquilo que retrata: um domingo de quarentena, "onde nada acontece, apenas vemos o tempo a passar e a transformar-se". Acordar, comer, tomar banho e café. Ver o sol ou a chuva. O entardecer e o anoitecer. Não tão rapidamente como aqui descrito. Muito, muito mais monótono.

Domingo é o que "têm sido os dias da grande maioria de nós", explica Bruno Carnide ao P3. A curta-metragem de animação de cerca de dois minutos foi feita em tempos de confinamento, não só para o descrever, mas também para ajudar o realizador a passar o tempo e a abstrair-se "desta realidade". A animação, uma área que tem vindo a explorar — e com sucesso, já que tem uma outra curta, Equinox, nomeada para Melhor Animação dos Prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema, contorna as limitações que encontraria se optasse pela imagem real em tempos de pandemia. 

Professor nas áreas de Cinema, Efeitos Visuais e Animação, Bruno Carnide espera estrear uma nova animação, Solstice, ainda este ano. Mas, por agora, deixa-nos Domingo, a curta que todos compreendemos e com a qual nos identificamos, e que vai buscar referências a "trabalhos de artistas contemporâneos", como Fork, do fotógrafo húngaro André Kertész — trocando o garfo pela colher. A imagem é pequenina, apertada, e há uma explicação para isso: "Tentei explorar um formato novo, 1:1, para dar à imagem limites mais sólidos e criar alguma sensação de prisão." Tal como "a que sentimos em nossas casas".

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