Realizadora norte-americana Lynn Shelton morre aos 54 anos

Figura importante do novo cinema independente americano, a autora de Entre Irmãs e Encalhados morreu subitamente aos 54 anos.

,Diretor de filme
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Lynn Shelton JUAN GONZALEZ

“É uma perda horrenda e triste,” nas palavras do comediante e podcaster Marc Maron: a realizadora Lynn Shelton morreu na sexta-feira, aos 54 anos de idade, num hospital de Los Angeles; a causa foi uma doença de sangue que nunca tinha sido diagnosticada. Ao longo de uma carreira que incluiu inúmeras séries televisivas, Shelton tornou-se igualmente numa das autoras mais importantes, e mais discretas, do novo cinema independente americano feito com micro-orçamentos e recurso à improvisação.

Companheira de percurso de gente como Greta Gerwig, os irmãos Mark e Jay Duplass, Amy Seimetz ou Joe Swanberg, e trabalhando a partir de Seattle, Shelton foi uma das poucas cineastas americanas contemporâneas a explorar o território da comédia, com grande elegância narrativa e uma grande atenção e paixão pelos actores. Ao longo de uma carreira que apenas durou oito filmes, Shelton dirigiu Emily Blunt e Rosemarie de Witt (Entre Irmãs, 2011), Ellen Page e Allison Janney (Touchy Feely, 2013) ou Keira Knightley, Chloë Grace Moretz e Sam Rockwell (Encalhados, 2014).

Foi Deu para o Torto (2009), a sua terceira longa-metragem, mostrada em Cannes e história de dois melhores amigos heterossexuais (Mark Duplass e Joshua Leonard) que se deixam levar pela ideia de fazer um filme porno gay, a revelá-la ao mundo. No entanto, Shelton nunca perseguiu uma carreira hollywoodiana e foi intercalando as suas discretas longas-metragens com episódios de séries como Mad Men, Master of None, Santa Clarita Diet ou GLOW. Foi nesta última que conheceu Marc Maron, com quem vivia desde 2018, e para quem dirigiu igualmente os seus dois mais recentes especiais televisivos, Too Real e End Times Fun. Maron teve também o papel principal na última longa da cineasta, Sword of Trust (2019).

Mais recentemente, dirigira episódios da série Little Fires Everywhere, com Reese Witherspoon, que referiu no Twitter sentir-se “devastada” com a perda de uma cineasta que “prestava sinceramente atenção a todo o pessoal da equipa e do elenco, garantindo que éramos todos ouvidos, vistos e apreciados”.

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