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“Eles lutam”, disse Carlos. “Eles zombam da vida. Eles zombam da morte. STEVE MCCURRY
Pré-publicação

O Dia dos Mortos segundo Paul Theroux

«”Eles lutam,” disse Carlos. “Eles zombam da vida. Eles zombam da morte.”». Pedimos ao escritor norte-americano para nos enviar uma passagem do seu novo livro On The Plain Of Snakes: A Mexican Road Trip, publicado em Outubro de 2019. Na volta do correio, chegou esta descrição da quadra festiva em torno do Dia de Todos os Santos, tal como é celebrada na província de Oaxaca, México.

Oaxaca transfigurou-se noite após noite, nos dias antes do Halloween e até ao Dia de Todos os Santos (também chamado ‘Día de los Angelitos’, ou ‘Dia das Crianças Mortas’) e ao Dia dos Mortos (‘Día de los Muertos’), primeiro e segundo de Novembro, respectivamente. As ‘comparsas’ - trupes de mascarados e de músicos - subverteram a ordem da cidade e colocaram multidões a desfilar, espalhando-se e tomando as ruas, empurrando todos os outros para os lados e transformando-os em espectadores. Então a cidade passou a pertencer às procissões das crianças com máscaras de caveira, aos mascarados de mortos-vivos, aos percussionistas e aos trompetistas, e ao Anjo da Morte.