Governo já definiu como “prioritária” expansão do metro a Loures. Falta agora concretizá-la, diz Bernardino Soares

Autarca de Loures reage às declarações do ministro do Ambiente que disse estarem a decorrer avaliações com o município de Loures para expandir o metropolitano até lá. Mas das palavras aos actos, Bernardino Soares quer ver a obra inscrita já no próximo quadro comunitário.

,Metro de Lisboa
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Pedro Fazeres

Depois de o Governo assumir formalmente, “ou pelo menos do ponto de vista de declaração pública”, a hipótese de se avançar com a expansão do metro para o concelho de Loures, falta agora “a decisão concreta”. Das palavras aos actos, o presidente da câmara de Loures, Bernardino Soares, quer ver a obra inscrita já no próximo quadro comunitário.

O autarca reagia assim às declarações do ministro do Ambiente, Matos Fernandes, que afirmou esta quarta-feira, durante uma audição numa comissão, estarem a decorrer avaliações com alguns municípios, entre eles o de Loures, para expandir o metropolitano para os seus concelhos.

“Ficámos muito contentes por o Governo já ter aceitado a prioridade deste investimento, agora é preciso que esta declaração se concretize, designadamente com a garantia do financiamento no próximo quadro comunitário”, diz ao PÚBLICO Bernardino Soares. 

Segundo disse Matos Fernandes, no caso de Loures, estão em estudo projectos para expandir o metro para a zona Norte e Oriental: a Linha Azul a partir de Santa Apolónia para a Expo, Portela e Sacavém e, na Linha Amarela, uma ligação de Odivelas ao Hospital Beatriz Ângelo e ao Infantado (Loures), passando por Santo António dos Cavaleiros, no formato de “U”, de cerca de 12 quilómetros. “Todos estes trabalhos estão em curso”, realçou o governante.

Ora, Bernardino Soares (PCP) adiantou que, nos últimos meses, têm decorrido reuniões técnicas entre a Câmara de Loures e o Metropolitano de Lisboa, e que estão várias hipóteses em cima da mesa. “Estão em estudo várias possibilidades. Estamos disponíveis para qualquer solução desde que tenha qualidade, seja eficaz e seja confortável para todos os utentes”, sublinhou.

E haverá condições para inscrever a obra já no quadro comunitário 2021-2027? “Se o Governo teve condições para inscrever no actual quadro comunitário as verbas para a linha circular de Lisboa também tem condições para fazer o mesmo em relação ao metro para Loures”, sublinha o comunista.

Há vários anos que a Câmara de Loures pressiona o Governo para que o metro de Lisboa chegue àquele concelho. Em 2017, foi entregue e posteriormente discutida uma petição — que obteve mais de 31 mil assinaturas e cujo primeiro signatário foi Bernardino Soares — no Parlamento, que reivindicava o prolongamento do metro ao interior do concelho. 

A expansão do metropolitano a esta zona chegou, de resto, a ser anunciada em 2009, pela então secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, que se deslocou a Loures para anunciar a construção das estações de Portela e Sacavém, Torres da Bela Vista/Frielas, Santo António, Loures e Infantado, respondendo a uma reivindicação com várias décadas da população. No entanto, o plano não saiu da gaveta. Bernardino Soares diz agora que Loures está disponível para discutir soluções diferentes daquelas que foram na altura anunciadas. 

Durante a audição no parlamento, o ministro do Ambiente disse ainda que o Governo estará pronto para lançar, em Outubro ou Novembro, se houver financiamento, a expansão da Linha Vermelha do metro de Lisboa de São Sebastião a Alcântara-Alto de Santo Amaro, com passagem pelas Amoreiras, Campo de Ourique e Infante Santo.

O ministro voltou a defender a linha circular como prioritária, por considerar fundamental “fechar este grande anel circular entre o Cais do Sodré e o Campo Grande”. 

Metro ligeiro de Sacavém à Cruz Quebrada

Além da Linha Vermelha, num protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa e a Câmara de Oeiras, “está a ser feita a avaliação da extensão, sempre comparando com o metro ligeiro eléctrico rápido (ou BRT), que vai de Alcântara, Alto de Santo Amaro, Ajuda, Miraflores, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada”, disse o ministro. 

Esta opção tem sido defendida pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que há pouco mais de um ano revelou o projecto de alargar a rede de eléctricos da Carris à Cruz Quebrada e a Sacavém, ligando assim três concelhos. 

Segundo diz Bernardino Soares, as conversações que Loures tem tido com Lisboa apontam para a opção do metro de superfície, em detrimento do transporte pesado. “Nada temos contra essa solução, desde que seja efectiva. Se ela garantir o transporte adequado das pessoas, como penso que pode garantir, nada temos contra essa solução. É uma solução que não fica dependente o transito rodoviário, que transporta muito mais gente do que os autocarros e que responde às necessidades”, nota o autarca.

Sobre se será o Metro de Lisboa ou a Carris a assumir a obra, Bernardino Soares diz que tal não está ainda definido. 

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