Covid-19. 4 de Junho é a nova data para o regresso do futebol em Portugal

Data foi anunciada e dá tempo à Liga para vistoriar “rigorosamente” os estádios e fazer os testes médicos a todos os profissionais.

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André Rodrigues

Afinal, não será ainda em Maio que os adeptos de futebol portugueses verão o regresso da bola aos relvados nacionais. Depois do Governo ter indicado como possível o retorno da I Liga no fim de semana de 30 e 31 deste mês, ontem a Liga de clubes revelou que o primeiro jogo da 25.ª jornada do principal campeonato de futebol português deverá ser disputado no dia 4 de Junho (uma quinta-feira).

A nova data está, contudo, dependente do parecer positivo da Direcção-Geral de Saúde (DGS), conforme explicou ontem o organismo liderado por Pedro Proença: “Por forma a garantir que são rigorosamente vistoriados os estádios e realizados os testes médicos a todos os profissionais envolvidos nos jogos e na respectiva organização, está apontada a data de 4 de Junho de 2020 para o primeiro jogo da 25.ª jornada da Liga NOS.”

E terá sido mesmo esta necessidade de garantir todas as questões de segurança que terá levado a adiar por mais alguns dias o recomeço do campeonato.

Caso se confirme o 4 de Junho como a data da primeira partida da 25.ª jornada, a ronda prolongar-se-á até dia 7 (domingo), estando prevista a conclusão da competição, se tudo correr sem qualquer imprevisto, sete semanas depois, no fim-de-semana de 17 e 18 de Julho.

Ontem, a Liga reuniu-se por videoconferência com os presidentes dos clubes e, à semelhança do que tinha ocorrido na véspera na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) mas com outros intervenientes, promoveu uma sessão de esclarecimentos sobre o protocolo elaborado pela DGS e que estipula as condições necessárias para a retoma da I Liga e a realização da final da Taça de Portugal. Paulo Beckert (da selecção nacional) e Filipe Freus foram os médicos presentes.

Outro dos temas em cima da mesa neste momento — e relevante para o regresso do futebol — tem a ver com  a necessária vistoria dos estádios.

FPF será casa de dois clubes

Segundo o que o PÚBLICO apurou, o entendimento da Liga é que face àquilo que são os critérios que constavam no parecer técnico da DGS, não existe nenhum que exclua qualquer um dos estádios dos clubes da I Liga. Contudo, o princípio passa por utilizar o menor número de estádios possível o que coloca na equação a Cidade do Futebol, em Oeiras.

Assim, o Belenenses SAD vai juntar-se ao Santa Clara e ambos os emblemas irão disputar os seus jogos “caseiros” nas instalações da FPF e habitualmente utilizadas pelas selecções nacionais para os seus treinos.

No caso dos “azuis”, 13.ºs da tabela,  a opção prende-se com a falta de condições do Estádio Nacional. No caso dos insulares, 10.ºs classificados, o clube açoriano explicou que a medida pretende salvaguardar a “saúde pública dos açorianos e açorianas e de todo o povo português em geral”.

Na véspera, já o presidente do clube da ilha de São Miguel, Rui Cordeiro, tinha solicitado ajuda: “Nós precisamos de apoio para suprir as questões de logística que vamos ter. Desde passagens aéreas, alojamento, alimentação, transportes, estadias. É um conjunto de despesas muito grande que vamos ter e que surgem do facto de não conseguirmos jogar em nossa casa”, disse o dirigente, que avançou mesmo com um custo entre os 150 e os 200 mil euros para disputar o resto do campeonato no continente.

Nas últimas semanas, a possibilidade de os clubes insulares da I Liga (Santa Clara e Marítimo) jogarem no continente já tinha sido avançada, de forma a mitigar os potenciais contágios com o novo coronavírus. Possibilidade agora aceite pelo Santa Clara mas que o Marítimo não parece acatar.

Carlos Pereira, presidente dos maritimistas, já veio a público recusar essa possibilidade, dizendo mesmo que, caso seja forçado a ela o Marítimo jogará sob protesto. “Não abdico [de jogar no Estádio dos Barreiros]. A equipa que chega à ilha da Madeira vai do aeroporto para o hotel, do hotel vai para o jogo e depois do jogo vai para o aeroporto. Portanto, em menos de 30 horas está resolvido e se a equipa já vem testada com 72 horas de antecedência, acho que não causa nenhum problema nem contágio à sociedade.