Cascais vai transformar parques urbanos em praias

E se em vez de estender a toalha no areal a estendesse num parque verde? Em Cascais, estão a adaptar-se os parques urbanos a praias — sem areia, mas com água. Medida visa retirar pressão do litoral, uma vez que a lotação das praias será limitada devido à pandemia.

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Para já, quatro parques vão ser adaptados, mas o município tem 18 espaços já identificados Nuno Ferreira Santos

A Câmara de Cascais está a preparar os seus parques urbanos para criar pequenas praias, com zonas de água. Não, não haverá areia, e em vez de estender a toalha no areal poderá estendê-la nos relvados de 18 áreas verdes do concelho. E poderá refrescar-se em estruturas com água, colocadas especialmente para o efeito.

A medida visa “tirar pressão do litoral” face à fixação de limites da lotação das praias, que serão impostos devido ao surto da covid-19 e dar alternativas a quem não conseguir um lugar na areia, explica a vereadora com o pelouro do Ambiente, Joana Balsemão. 

A iniciativa “Faça praia no parque” arranca já esta sexta-feira, naquela que será uma experiência “piloto” em quatro parques: Parque Marechal Carmona, na vila, a Quinta da Alagoa e a Quinta de São Gonçalo, em Carcavelos, e o Parque do Penedo, em São Domingos de Rana.

A ideia, explica a vereadora, é delimitar dentro dos parques zonas onde as pessoas podem estender a toalha, “sem esquecer que estamos a passar por uma pandemia e que há regras da Direcção-Geral de Saúde a cumprir”. 

Por isso, cada parque terá uma lotação máxima e haverá regras para a fruição do espaço: à chegada ao parque, cada pessoa ou família será encaminhada para um local, que estará delimitado. Esse espaço terá uma lotação, calculada com base na área útil (excluindo áreas florestadas e lagos) do parque, sendo que cada pessoa deverá ter para si cerca de 12 metros quadrados. 

A câmara está também a montar as “estruturas de refrescamento”, que funcionarão por aspersão de água da rede, para garantir a sua qualidade. Todo o processo está a ser acompanhado pela delegada regional de saúde, nota Joana Balsemão. E como esta iniciativa é, para já, considerada uma experiência piloto, o município quer fazer questionários aos utentes para perceber o que pode ainda “afinar”. 

Para assegurar que todos os veraneantes que quiserem ir estender a toalha ao parque terão acompanhamento, o município está a reforçar o número de voluntários. Neste momento, detalhou a vereadora, são já uma equipa com 180 jovens voluntários, que estão um pouco por todo o território, incluindo parques, paredão e praias, “que vão sensibilizando os utentes relativamente às regras de uso destes locais. Eles vão ser um alicerce importante desta iniciativa”, sublinhou. 

Na semana passada, a autarquia anunciou a reabertura do paredão e dos parques do concelho, depois de quase dois meses encerrados. A nota de reabertura veio acompanhada com alguns conselhos, que apelam a que seja mantida a distância física de dois metros entre pessoas e que se evitem os ajuntamentos com mais de dez pessoas, nestes espaços. No caso dos parques e espaços verdes, estes têm agora uma lotação máxima e não é permitida a utilização dos parques infantis nem dos bebedouros.

No paredão, a câmara aconselha a que siga os sentidos de circulação, mantendo o distanciamento. A prática de actividade física com mais de uma pessoa é permitida, mas não poderá circular de bicicleta. Por agora, o acesso às praias é permitido, mas ainda não se pode estender no areal. Quem for praticante de desportos na água também pode regressar à actividade.